A Maldição do Strava

stravaCURITIBA (cursed) Quem pedala e tem um smartphone ou GPS provavelmente tem uma conta no Strava. Pra quem não conhece, o Strava é um app e também um website que permite ao ciclista armazenar seus pedais via smartphone ou GPS. Não importa a distância. Pode ser um pedal para o trabalho ou um treino longo de soltar as tiras. Você pode seguir outros ciclistas (no melhor estilo rede social), parabenizar seus colegas pelos pedais (kudos) e ainda e criar “segmentos”, os quais se tornam pequenas pistas de corrida virtuais.

Quando você passa por um segmento, o Strava automaticamente analisa seu desempenho e te classifica numa posição no ranking. O ciclista com o melhor tempo ganha o título de Rei da Montanha (King of Mountain) ou KOM, uma apologia ao melhor escalador do Tour de France. Querendo ou não, isso gera uma competição entre todas as pessoas que passam por um mesmo segmento.

A maioria das pessoas que pedalam comigo tem uma conta no Strava. Eu preferia armazenar meus pedais coletados através do meu Garmin no RubiTrack, um aplicativo bem decente que me permite analisar meus treinos. Mas no começo desse ano eu criei uma conta no Strava pra ver como a coisa funcionava. Logo comecei a seguir meus colegas e também comparar meu desempenho com um monte de gente que eu nem conheço.

E aí conheci a Maldição do Strava. Uma vez usuário, você não consegue mais passar por um segmento conhecido sem dar uma forçada para melhorar seu tempo, ou quem sabe, tomar o KOM de alguém. E quando você está pedalando em grupo e de repente alguém sai em disparada numa subida qualquer, pode ter certeza que ali tem um segmento do Strava. Esses dias estava fazendo um pedal com o Pedro, quando do nada ele começou a forçar o ritmo numa subida. Só quando chegamos lá em cima e eu consegui recuperar meu fôlego, foi que ele me avisou que aquele pedaço era um segmento. Quando cheguei em casa fui conferir meu desempenho. Décimo lugar num trecho que já foi percorrido 2350 vezes por 240 ciclistas. Agora toda vez que passo ali tento melhorar o tempo, mas tá dificil! A mesma coisa acontece numa subida perto da minha casa, a qual eu tenho que encarar sempre que estou voltando de um pedal. Mesmo cansado tento dar o máximo pra chegar em casa e ver se melhorei meu tempo.

No meu caso, a minha briga é comigo mesmo. Tento baixar meus tempos sem me preocupar muito com os outros, mesmo por que tem uns caras que pedalam demais. Também tem outros que são usuários de drogas digitais, como por exemplo o DigitalEPO.com. Nesse site você pode “turbinar” seu tempo antes de fazer upload para o Strava e consequentemente adicionar alguns KOMs  na sua galeria.

Eu li uma entrevista do criador do DigitalEPO, Scott Lathan, em que ele explica o porque criou esse serviço. Basicamente, ele é contra essa competitividade implícita do Strava e cita que pessoas tem se machucado e até morrido na busca enlouquecida por KOMs, como esse caso do ciclista que bateu em um carro e morreu quando tentava recuperar um KOM perdido. Ou seja, pra não sair que nem um maluco por aí na busca por KOMs, use o DigitalEPO que é muito mais fácil, já que é impossível saber se as pessoas estão conseguindo seus tempos de maneira leal. Essa é a ideia do DigitalEPO, ou seja, tornar a competição implícita do Strava sem sentido.

Como eu disse anteriormente, eu acho o Strava uma bela ferramenta para acompanhar a evolução dos meus treinos. E quanto a maldição? Ainda estou achando divertido acabar um pedal e analisar meu pedal tomando uma cerveja gelada. Cheers!

 

2 thoughts on “A Maldição do Strava

  1. Pingback: DigitalEPO - O doping digital para você ter seus KOMs tão almejados! - BikeBlog

  2. Na verdade, existem vários fatores, e não só o Strava, que penso ser o menos culpado no caso. O ser humano, diante da impotência para resolver questões mais complexas, encontra as explicações que estiverem disponíveis. Ninguém saí pra correr ou pedalar, a nível de esporte, sem buscar seu limite.
    Também acho que não se deve “sair que nem maluco”, de bicicleta, de skate, de patins, correndo,…
    Outra questão é a falta de respeito no trânsito. Quantos pedestres, ciclistas, motociclistas, não morrem por falta de educação no trânsito? E as vezes por desrespeito destes.
    Logo, entendo que a discussão não é restrita ao Strava, nem a competição (que existe em todos os segmentos da nossa vida).

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