Índice H

CURITIBA (measuring) O que é o tal do índice H e pra que serve? Essa é uma pergunta que geralmente escuto dos alunos de pós-graduação.  Em 2005, um físico chamado J. E. Hirsch, intrigado com os critérios usados para avaliar a produção científica de pesquisadores, propôs um índice [1] que leva em consideração não somente a quantidade de artigos escritos, mas também a quantidade de citações que o mesmo recebe. Antes do índice H, os pesquisadores eram avaliados por um dos dois critérios ou ainda pela relação entre os dois.

  1. Número total de artigos escritos. Vantagens: Mede a produção. Desvantagem: Não mede o impacto da produção.
  2. Número total de citações. Vantagem: Mede o impacto total. Desvantagem: Pode ser inflada por um único trabalho, como um livro campeão de vendas.

O índice H junta esses dois critérios em um único número usando uma regra bastante simples: Um pesquisador tem índice H se H artigos publicados tiverem pelo menos H citações cada um. Por exemplo, para ter um índice H = 20, o pesquisador deve ter publicado 20 artigos que tenham pelo menos 20 citações cada um. A Figura abaixo também exemplifica o índice h.

Representação do indice h (Fonte: Wikipedia)

Representação do indice h (Fonte: Wikipedia)

Depois de um certo limiar, é bastante difícil aumentar o valor de H pelos seguintes motivos. Primeiro, nem todos os artigos serão úteis para aumentar o índice. Alguns artigos vão receber poucas citações simplesmente por não serem muito relevantes.  Segundo, em geral um artigo tem um certo período de popularidade. Depois de um certo tempo, seu número de citações diminui consideravelmente.

Por outro lado, o valor de H nunca vai cair. Mesmo depois de se aposentar e resolver pedalar todos os dias, o pesquisador vai manter seu índice H. Dependendo da popularidade dos seus últimos trabalhos, seu índice pode até aumentar.

Mas o que é um bom índice H? Segundo Hirsch, um índice H = 20 para um pesquisador com 20 anos de carreira, indica um pesquisador de sucesso. H = 40 para os mesmos 20 anos caracteriza pesquisadores excepcionais, geralmente trabalhando com grandes equipes em universidades de ponta. H = 90 para 30 anos de carreira caracteriza os pontos fora da curva (como por exemplo G. Hinton, um dos pais do deep learning). Um dado interessante citado por Hirsch é que 84% dos ganhadores de prêmio nobel possuem índice H >= 30, indicando que são pesquisadores com uma carreira consistente e não surgem do dia pra noite.

Mas é preciso esperar 20 anos para saber se o pesquisador teve sucesso? Não necessariamente. Em geral, espera-se que o índice H seja acrescido de 1 todo ano até o vigésimo ano. O que vier depois é lucro. E quando começa a carreira do pesquisador? Em geral alguém começa a ser produtivo na segunda metade do doutorado. Então pode-se afirmar que alguém que defendeu o doutorado há 10 anos e tem índice H = 10 está no caminho certo.

E como consultar o indice H de alguém? Existem diferentes bases de dados com diferentes formas de indexação, como a ISI e a Scopus. Entretanto, a mais fácil de usar e que tem se tornado padrão, pela simplicidade, acessibilidade e poder de indexação, é o google scholar. Basta digitar o nome do pesquisador e voilà. Se você quiser que seu nome apareça no scholar, seu perfil deve ser público.

E quem usa o indice H? Quando você escreve um projeto pedindo dinheiro para qualquer órgão de fomento, pode ter certeza que quem avalia seu projeto vai consultar seu índice H. Em projetos de cooperação internacional você deve colocar essa informação no seu CV.

[1] J. E. Hirsch, An Index to Quantify an Individual’s scientific research output, PNAS, 102(46):16569-16572, 2005.

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