O Povo na Rua

SANTIAGO (não foi dessa vez) Hora de arrumar as malas pois amanhã é dia de aeroporto. E em se tratando de último dia, tínhamos combinado um almoço num restaurante tipico perto do mercado. Nada fancy, restaurante hard-core, segundo o pessoal daqui.

Mas não foi dessa vez. Encontramos uma manifestação pelo caminho. Certamente vai ser notícia no Brasil pois a coisa parece que não acabou bem. Na volta do almoço, tivemos que dar uma volta e ainda sentir os efeitos do gas lacrimogêneo nos nossos olhos. O caminhão do exército tinha acabado de dispersar a multidão, que segundo o jornal somava cerca de 150 mil manifestantes.

photo

A povo aqui, já não é de hoje, está reivindicando universidade pública gratuita. Diferentemente do Brasil, aqui a universidade pública é paga e custa caro. Para se ter uma ideia, o preço de um curso de engenharia na Universidade do Chile (pública) é o mesmo da PUC-Chile, cerca de US$ 10000 por ano.

Manifestacao Chile

Foto: Latercera.cl

Para lidar com o custo, existem programas de crédito estudantil que acabam resultando em endividamento dos jovens. Operados por bancos privados com altas taxas de juros, as dívidas são um dos estopins dos protestos.

 

Último Colocado

SANTIAGO (mission accomplished) Nesse último fim de semana aconteceu a Maratona de Santiago. Várias pessoas me perguntaram por que eu não ia correr, já que estava em Santiago. Como se correr uma maratona fosse chegar e correr. Se não treinar, não dá. Pelo menos era o que eu imaginava.

Mas vendo o jornal de hoje mudei de mudei de idea. Dá pra correr. E ainda dá pra sair na capa do jornal. Basta fazer a prova em mais de 6h e chegar em último.

maratonaPelo menos a mulher dele estava esperando na linha de chegada. Deve ter dito, que papelão hein !!

Vinícola Santa Rita

SANTIAGO (powered by Carménère) Seguindo a sugestão do meu amigo Adriano, hoje fui visitar a vinícola Santa Rita, a quarta maior vinícola do Chile. Logo na entrada você encontra o grande casarão de mais de 200 anos que hoje abriga o restaurante Doña Paula e também a loja de vinhos. O restaurante é todo decorado com pinturas e móveis da mesma época do casarão. Muito bonito. Mas não, não almocei ali pois tinha que fazer reserva e eu não fiz.casarao santa rita

Diferentemente do tour da Concha y Toro que é bem superficial, na Santa Rita você passeia no meio da fábrica, vê o processo de produção e sente aquele cheiro azedo de uma vinícola.

processo

O tour continua passando pelos porrões lotados de barris de carvalho, processo de engarrafamento e outras adegas históricas do prédio. Um lugar bacana é onde os enólogos guardam as garrafas que eles bebem para acompanhar o envelhecimento do vinho. Não estão a venda, mas se estivessem deveriam custar uma pequena fortuna.

garrafas

O lugar ainda é cercado de história. Durante a guerra da independência Chilena, a então proprietária, Doña Paula, abrigou nos porrões da vinícola 120 soldados. O lugar onde os soldados ficaram refugiados faz parte da visita e é lá que é realizada a degustação. Dois tipos de vinhos foram servidos, um Sauvignon Blanc e um Carménère Reserva. Esse último, um autêntico Carménère Chileno.

E como toda visita acaba na loja, essa não é diferente. E se você pensa em comprar algum vinho, os preços da loja deles é cerca de 20% mais em conta do que no mercado. Eu garanti algumas garrafas do Casa Real para minha adega!

 

Ceviche Peruano

SANTIAGO (half way) Toda cidade mais desenvolvida com um pouco mais de estrutura e oportunidades acaba sempre atraindo um monte de imigrantes. E isso não é diferente aqui em Santiago. Uma cultura que estou tendo oportunidade de conhecer um pouco mais aqui é a Peruana.

Todo imigrante traz consigo uma porção de coisas boas mas também coisas que deveriam deixar em seus países de origem, mas isso nem sempre acontece. Mas vamos falar das coisas boas. E isso começa pela cozinha. Logo nos primeiros dias, José, o Peruano, me disse que eu tinha que provar a comida do seu país.  Senti que ele ficou um pouco indignado quando eu disse que não conhecia a culinária Peruana. Depois de provar entendi a sua indignação.

Enfim, me levaram num restaurante, que segundo ele, é um dos melhores em Santiago. O restaurante se chama El Aji Seco e certamente não é um lugar que eu entraria como turista. Não pelo restaurante, mas sim pela localização.

el aji seco

E essa é a vantagem de estar com o locais. Você tem a chance de conhecer lugares que os turistas comuns jamais vão encontrar. O restaurante é simples mas a comida é deliciosa. Provei o famoso Ceviche e pensei, merda como não comi isso antes!

O ceviche é o prato mais tradicional do Peru. Pelo que eu entendi, se você pedir para um Peruano descrever seu país em poucas palavras, ceviche vai ser uma delas.

Basicamente é peixe cru que fica no limão por alguns segundos e leva pimenta, cebola e coentro. Provei um combinado com três molhos diferentes. Simplesmente sensacional.

ceviche

 

Café em Santiago

SANTIAGO (with legs) Hoje fui almoçar com o pessoal daqui num bar/restaurante chamado The Clinic. Hoje vamos em um lugar legal, me disseram. Talvez pra compensar o bandejão de ontem.

The Clinic é o nome do local onde Pinochet foi preso em Londres e como se pode imaginar, o ex-ditator é a personalidade mais “homenageada” nas paredes do bar.

the clinic

O restaurante é bacana e o ambiente bem agradável. Por se tratar de um lugar turístico, o preço é um pouco acima da média, mas nada absurdo.

the clinic

Café? Pergunta clássica depois de um almoço.

Claro! Minha resposta default pra esse tipo de pergunta.

Ok, vamos te mostrar nosso tradicional “Café com Piernas”. Caminhamos e logo estávamos no Café Angels. What the fuck! Foi  o que eu disse para o Juan assim que entrei no lugar.

cafe angels

Eu não tirei nenhuma foto pois fiquei meio sem jeito de pedir para fotografar. Mas encontrei essa abaixo na internet que explica bem as “piernas” do café.

cafe com piernas

Me explicaram que existem 300 casas como esta em Santiago. E um novo café só pode ser aberto se um fechar. O preço do café é o mesmo dos lugares “tradicionais” mas em geral os clientes deixar gorjetas generosas para as moças. Também, pudera.

Se te oferecerem um café me Santiago, pense bem antes de recusar.

Dicas para Santiago e Atacama

CURITIBA (void) Aqui estão algumas dicas caso você decida fazer uma viagem ao Chile (Vale Central e Atacama).

Documentos: Não precisa passaporte, basta a carteira de identidade. Entretanto, com o passaporte você ganha tempo em alguns lugares.  Se você pretende dirigir por lá, nossa carteira de motorista é válida.

Transporte: Viajar de avião está bastante acessível. Os aeroportos Brasileiros cada vez piores. Dificilmente você pega um voo no horário, e olha que eu viajo com uma certa frequência. Então prepare o espírito. Não sei precisar o custo da passagem CWB-Santiago, mas quando comprada com antecedência os preços são interessantes. Eu fui de milhas. Já a passagem Santiago-Calama-Santiago fica por R$ 300 pela Lan Chile se você entrar na versão Chilena do site. Tem ainda a opção da Sky Airlines ou do velho e bom ônibus. Do último eu não sei precisar o preço, mas são mais de 1000km de estrada.

O transfer para o  aeroporto em uma van para quatro pessoas ficou em torno de R$ 80

Dá pra ir de carro? Dá. Eu vi um varios carros com placa do Brasil circulando pelo Atacama. Dá próxima vez eu vou de carro!

Seguro: Nunca saia de casa sem um seguro de viagem. Vai que dá merda! É o tipo de coisa que eu pago pra não usar, principalmente quando se viaja com crianças.

Carro: Eu deixei pra alugar o carro meio em cima da hora e o melhor que consegui foi um Renaut Samsung por R$ 150/dia com seguro incluso. Dirigir em Santiago é tranquilo mas  o trânsito é pesado e não tem lugar pra estacionar. Se você pensa e visitar as redondezas em mais do que duas pessoas, certamente o carro vai sair mais em conta do que pagar os pacotes das agências de turismo.

Navegação: Eu sempre tenho um guia de viagem comigo. Gosto bastante dos guias da DK, que no Brasil são publicados pela Folha de SP. Se você pensa em dirigir, o projeto MAPEAR fornece os mapas para GPS de todo o Chile. Seria um equivalente do nosso Tracksource. ENTRETANTO, preste muita atenção, principalmente em Santiago. Os mapas estão longe de ser atualizados, principalmente com a direção das ruas. No começo da viagem eu entrei na contra-mão algumas vezes pois estava seguindo somente o GPS.

As estradas que ligam Santiago a qualquer lugar são pedagiadas. As estradas são boas (não maravilhosas) e o pedágio é caro. Para um trecho de 100km você paga cerca de CLP 5000 (R$ 18). Preço da gasolina em Santiago é parecido com o que pagamos no Brasil, ou seja, também é caro.

Roteiro: Nosso roteiro compreendeu 3 dias em Santiago, 4 dias visitando o Vale Central e 4 dias no deserto. Achei que foi de bom tamanho. Seu eu tivesse alguns dias a mais no deserto não reclamaria.

Santiago e Valle Central: Eu acho que três dias em Santiago está de bom tamanho. Santiago é uma cidade grande, com alguns atrativos e com um bom sistema de metrô o que facilita bastante a locomoção. Preste atenção nos horários do metrô. Se vocês utilizar nos horários fora de pico a passagem é mais barata.  Acho que andamos de taxi umas duas vezes somente. O taxi é barato, principalmente comparado a Curitiba.

Nos outros quatro dias usamos o carro  para visitar Valparaiso, Viña del Mar, Isla Negra, a vinícula da Conha y Toro e ainda o Valle Nevado. É obvio que se você for viajar no Inverno e gostar de ski/snowboard, pode ser interessante passar alguns dias a mais no Valle Nevado. Se sobrar um tempo, outro destino interessante é o Valle del Maipo.

Se você gosta de vinho e quiser visitar algumas vinículas, eu sugiro que você faça uma reserva antes. Não conseguimos visitar algumas que eu tinha interesse em razão de não possuir reservas.

Atacama: Pra quem gosta de atividades outdoor, um paraíso. Diferente de tudo que eu tinha visto na minha vida. Eu acho que para uma primeira visita, 4 dias (úteis) estão de bom tamanho. O primeiro dia você perde arrumando as malas em Santiago e na viagem Santiago-San Pedro de Atacama. O que fizemos:

  • Dia 1: Voo Santiago-Calama (1h40) + transfer Calama San Pedro de Atacama (1h30 de van)
  • Dia 2: Valle de la Luna e Valle da Morte. Saída as 16h e volta as 21h. Nesse caso você tem a manhã livre pra explorar a cidade de bike ou a pé. Nesse dia fizemos uma caminhada até a Pukara de Quitor pela manhã.
  • Dia 3: Salar do Atacama e Lagunas Altiplanas. Saída as 7h e volta as 16h. Você vai chegar cansadão louco pra tomar uma Austral e comer alguma coisa.
  • Dia 4: Lagunas Cejar e Tebenquiche. Saída as 16h e volta as 21h. Outro dia com a manhã livre. Alugue uma bicicleta e vá explorar a pequena cidade e redondezas.Depois da Pukara de Quitor tem uma estrada muito bacana.
  • Dia 5: Geyser del Tátio. Saída as 4h e volta as 13h. Não esqueça a jaqueta e o protetor solar. Apesar do frio, o sol queima nos 4300m. Saímos de San Pedro as 16h para pagar o voo em Calama as 19h.

Importante: Reserve todos os passeios com antecedência. Um passeio que eu não fiz por falta de reserva foi o tour astronômico. O céu de San Pedro é um show a parte e isso é explorado por uma agência local (que fica no começo da rua Caracoles). O passeio dura cerca de 3h e inclui observação das estrelas e planetas com telescópios. Eu queria muito ter levado a Isabela mas quando eu fui procurar não tinha mais vaga. Aqui tem uma lista das agências para você planejar a viagem.

Compras: Para quem quer comprar alguma coisa, perto de Santiago existem dois Outlets, o Bona Ventura e o Easton Center (ambos na Ruta 5). Em Santiago, outro Shopping com uma grande variedade de lojas é o Parque Arauco. Lá tem a loja El Mundo del Vino que vende uns airbags pra você transportar seus vinhos. Se você quiser comprar artesanato, o lugar é o mercado Los Dominicos. Atualização (04/2013): Voltei par a Santiago em 2013 e agora tem um novo Shopping, chamado Costanera. Parece ser maior que o Parque Arauco e fica ao lado do metro Tobalaba

Não são outlets nos padrões americanos e o preço das coisas não é aquela maravilha, mas sua mulher sempre vai achar alguma coisa pra comprar!

Em San Pedro de Atacama não tem muito o que comprar a não ser artesanato. Isso não falta lá. Se você precisar de alguma coisa como um tenis, uma jaqueta, etc, tem uma loja da The North Face na rua principal, a Caracoles. Mas prepare o bolso.

Dinheiro e Cartões: Como sempre utilizo meu cartão do banco e tiro dinheiro nas máquinas ATM. Pra mim isso sempre funcionou no mundo inteiro, menos no Atacama. Apesar de existirem duas máquinas ATM lá, não sei por que, não consegui usá-las. Prevendo isso, eu saquei todo o dinheiro que eu pretendia usar nos dias no deserto em Santiago.

Agora com o alto IOF do cartão de crédito (+ de 6%) o saque se torna uma boa alternativa (IOF de 0.38%). Fique atento, porém, na taxa que o seu banco cobra. Cartões de crédito são aceitos em todos os buracos do Atacama. Você tem que ter dinheiro para pagar a entrada nos parques.

Em San Pedro existem algumas casas de câmbio que compram dolar e real. No real eles pagam bem pouco mas compram. Já no dolar você consegue um preço mais justo.

Comida: Come-se bem e relativamente barato em Santiago e no Atacama. Em Santiago um local obrigatório é o Mercado onde você pode degustar frutos do mar e a famosa sopa de mariscos. Em Valparaiso e Viña del Mar também existem centenas de restaurantes de frutos do Mar. Em San Pedro de Atacama, não deixe de provar as empanadas (bem melhores do que as de Santiago) e de ir no Restaurante Delicias de Carmem. Recomendo o “Lomo a lo Pobre”. Se gostar de mal passado, peça “a Inglesa”.

Hospedagem: Em Santiago ficamos em um apart hotel em Los Condes. A localização é muito boa, perto do metro, restaurantes e supermercado. Um apartamento todo mobiliado  para 4 pessoas (com internet) fica na faixa de US$ 130/dia. Albergues, campings e outras opções mais em conta devem existir mas eu não sei informar.

Em San Pedro de Atacama existe uma infinidade de opções, desde albergues com banheiro compartilhado até hotéis de luxo com quartos a partir de US$ 200 por pessoa. Depois de alguma pesquisa escolhi a pousada Don Raul. O quarto para 4 pessoas ficou por US$ 70/dia. A internet wifi é gratis.  A pousada entrega o que promete. Escutei muita gente lá dizendo que a pousada que eles tinham escolhido não tinha nada haver com as fotos da internet. Uma lista de hotéis/pousada você pode encontrar aqui. Reserve com uma certa antecedência, principalmente se você pretende viajar no verão ou inverno.

Clima: Bem, nós fomos em pleno verão (janeiro). Em Santiago não vimos uma única nuvem no céu. Alías, a média de chuva em janeiro é de 0mn. Isso memos, zero. Durante o dia a temperatura passa dos 30C mas a noite sá uma amenizada. O clima é seco e você deve sempre levar uma garrafa de água. Não esqueça do protetor solar.

Em San Pedro é mais ou menos a mesma coisa, com a diferença que o clima é mais seco e a temperatura cai mais durante a noite.

E a tal altitude? Nós fomos a dois lugares acima dos 4000m de altitude e não vimos ninguém passar mal. Alias, em um dos passeios um rapaz teve um sangramento no nariz. Mas algumas pessoas sentem um pouco o mal da montanha. Dizem que mascar folha de coca ajuda. Uma dica que recebemos foi de hiperventilar caso você sinta alguma coisa. Ou seja, aumente intensidade da sua respiração, respirando longa e profundamente.

Tem neve? No verão só no cume das montanhas.

Última dica: Vá que você vai gostar!

 

Geyser del Tatio

CURITIBA (powered by strong coffee) No nosso último dia de Atacama fomos visitar o que talvez seja o destino mais badalado da região, o Geyser del Tatio. Deixamos esse passeio para o último dia para casar com o horário do nosso voo de volta. Levantamos as 3h e saímos da pousada por volta das 4h. O complexo Tatio Mallku fica a aproximadamente  90km de San Pedro e a 4320m de altitude. O caminho é um show a parte que pode ser melhor apreciado na volta.

O movimento pela sinuosa estrada é bastante grande, pois de acordo com o guia entre as 6h e 7h da manhã é o melhor horário para apreciar o espetáculo da natureza

A altitude é uma preocupação para os guias. Os mais cuidadosos andam com alguns pequenos cilindros de oxigênio. Para nossa sorte, no nosso grupo ninguém teve problemas com a altitude, o famoso mal de puna.

A temperatura por volta das 7h beira os -6C. Um macete para se manter aquecido é ficar perto do vapor e com os pés próximos aos riachos de água quente, a qual é expelida pelos Geysers a uma temperatura de cerca de 85C.

Parte dessa água vai para uma piscina natural a qual é frequentada pelos mais corajosos. Não é recomendado que você fique mais que 15 minutos nessa água pois ela contem uma série de minerais que causam irritação na pela. Era a desculpa que eu precisava pra não entrar!

O campo de El Tatio é o terceiro maior do mundo e o mais alto. Para os Atacameños é um lugar sagrado e estando lá em cima é fácil entender o por que. Agora, não vá esperando ver jatos de 10 metros de altura. Isso não acontece em El Tatio, apesar de muitos guias e agências de viagem insistirem nessa falácia. A altura média é de cerca de 80cm. Abaixo um videozinho com a atividade de um dos muitos Geysers do parque.

Na descida todas as caravanas de turistas param em Machuca, um povoado que fica a uns 3000m de altitude e que segundo nosso sincero guia é coisa pra Inglês ver. O suposto churrasquinho de Lhama só leva carne de Lhama no nome. A carne é na realidade de boi paraguaio. Palavras dele.

De qualquer forma, o Geyser del Tatio é certamente mais um dos destinos obrigatórios para quem está no Atacama.

Lagunas Cejas e Tebenquiche

SAN PEDRO DE ATACAMA (powered by Pisco) Tá aí uma coisa que eu não tinha imaginado que encontraríamos nessa viagem. Um pedaçinho de Mar Morto. A Laguna Cejas (ou Cejar), que fica dentro do Salar do Atacama, tem uma grande concentração de sal e lítio o que torna a água bastante densa. Isso faz com que a gente flutue com extrema facilidade.  Mesmo aqueles que não sabem nadar se arriscam nas águas profundas, cerca de 30m, da lagoa.

Ainda dentro do Salar está a Laguna Tebenquiche, que nessa época do ano está bastante vazia. Esse esvaziamento proporciona um espetáculo a parte de cores no por do sol e também nos dá a chance de caminhar por quase toda a lagoa.

Mais uma atração que não deve ser perdida quando você visitar o Atacama.

Salar do Atacama e Lagunas

San Pedro do Atacama (powered by Austral) Outro destino imperdível no Atacama é o Salar do Atacama. Com uma área de 3mil metros quadrados é o terceiro maior salar do mundo e está numa depressão geológica entre as cordilheiras Domeyko e dos Andes.  Por estar ao lado do deserto, os ventos carregam muita areia e deixam o lago salgado com uma coloração mais acinzentada.

Além da beleza natural, o salar é muito explorado economicamente pois uma das matérias primas extraídas dele é o Carbonato de Lítio (Li2Co3), usado pra se fazer baterias. Nosso politizado guia fez um longo discurso sobre a exploração aparentemente sem controle do salar e os grandes impactos ambientais visíveis a olho nu. O maior deles é o esvaziamento das lagoas, habitat natural dos elegantes Flamingos.

Tomamos um bom café da manhã na companhia dos Flamingos e depois subimos a montanha para visitar as lagoas altiplanas, que ficam encravadas entre os vulcões a 4230m. A estrada que sobe a cordilheira é um espetáculo a parte.

Até 3200m ela é asfaltada e depois vira estradão de chão onde você tem que dividir caminho com as lhamas do alto da montanha.

As lagoas de água azul são dignas de cartão postal. Reza a lenda que existia uma única lagoa a qual foi dividida em duas pela erupção de um vulcão. A maior é a laguna Miscanti com 15km2.

A menor é a laguna Miñiques com 1.5km2 mas não menos bela.


 

Valle de la Luna

San Pedro de Atacama (powered by Kunstmann) Certamente algo diferente de tudo que eu já tinha visto até então. O Valle de la Luna ostenta uma incrível paisagem lunar com diferentes formações rochosas, cavernas, dunas e um anfiteatro natural. Segundo Juan, nosso divertido guia, o Pink Floyd um dia ainda vai tocar lá.

É difícil explicar esse lugar. Só vendo mesmo. Então fica a dica, se passar por aqui não perca o Valle de la Luna.