Dois dias na Normandia

ROUEN (red eye again) Dessa vez estou passando um pouco mais de tempo em Rouen. Fui convidado pela Universidade Rouen a passar 10 dias aqui para apresentar minhas pesquisas e também alguns seminários sobre reconhecimento de padrões. Como nem só de trabalho vive o homem, pedi algumas sugestões aos colegas daqui para elaborar um tour de dois dias na região da Normandia. O roteiro sugerido pela maioria foi o seguinte:

  • Dia 1: Sair cedo de Rouen, Visitar Mont Saint Michel, Passar o fim do dia em Saint Malo.
  • Dia 2: Sair cedo de Saint-Malo, Visita as praias do Dia D, Deauville e Ponte da Normandia.

No mapa o roteiro é mais ou menos esse, com cerca de 750km de ida e volta.

Roteiro Normandia

Aluguei o carro na Hertz desta vez. Um Peugeot 2008. Se você usar o site local das locadoras (.fr) o preço é bem mais em conta do que o site global (.com). Entretanto, a quilometragem é limitada a 250km por dia e te cobram cerca de EUR 0.4 por km excedente. Dependendo da quilometragem que você planeja, sai mais barato locar o carro por mais dias do que pagar o excedente. #ficaadica.

Seguindo o roteiro sugerido, a primeira parada foi no Mont Saint-Michel, uma abadia construída numa ilhota por volta do século XIII. Como tudo na Europa, a coisa é recheada de história e recebe uma tonelada de visitantes todos os anos. Três milhões e duzentos mil para ser mais exato.

Mont Saint MichelEntão se prepare para cruzar com monte de turistas pelas ruelas estreitas que levam a entrada da abadia no topo do morro. Uma boa ideia para escapar da muvuca é chegar bem cedo ou no fim da tarde. Nessa época do ano (junho-julho) tem luz do dia até as 22h.

Mont Saint Michel

Ruelas lotadas de turistas

Já na região da Bretanha, a cerca de 50km do Mont Saint-Michel estava o segundo ponto do roteiro, a pitoresca Saint Malo. Essa cidade cercada por uma muralha foi fundada no século 1AC, mas o que se vê hoje é o resultado da reconstrução que aconteceu depois da segunda grande guerra, pois em 1944 a cidade foi quase toda destruída pela resistência alemã.

Saint Malo

Caminhar pela ruelas no interior da muralha é algo bem prazeroso. A cidadezinha está recheada de bares e restaurantes onde você pode sentar e relaxar. O prato tradicional da região é o crepe que em geral é acompanhado por uma xícara generosa se cidra. Diria que não é minha bebida preferida, mas já que estou na chuva…

Cidra

Falando em chuva, parece que dei sorte. Na bretanha diz que chove uma vez no ano somente, mas dura cerca de 360 dias…

Depois de bater muita perna em Saint Malo, encontrei um hotel F1 na beira da estrada para passar a noite (EUR 33). No dia seguinte segui para a pequena cidade Colleville-sur-mer, na costa da Normandia, para explorar a região onde cerca de 100.000 aliados desembarcaram no dia 6 de junho de 1944, o dia D da segunda guerra mundial.

Memorial construído na praia de Omanha

Memorial construído na praia de Omanha

Se você se interessa pela história da segunda guerra, dá pra passar um bom tempo na região visitando museus e memoriais que explicam um pouco da história ‘in loco’. Como eu tinha um tempo limitado visitei o museu Overload (nome da operação do desembarque – Operação Overload) e o cemitério americano da Normandia. Esse último fica numa colina ao lado da praia numa área de 172 acres doado pela França aos Estados Unidos. Neste cemitério estão enterrados mais de 9000 americanos mortos na segunda guerra.

Cemitério Americano da Normandia

Cemitério Americano da Normandia

A última cidade do tour foi Deauville. Me disseram que esse é o destino predileto dos parisienses abonados nos fins de semana de sol do verão francês. Ou seja, uma riviera francesa no norte do país. Não é o tipo de lugar que me chama muito a atenção, mas de qualquer forma, é um lugar bonito (com uma grande concentração de carros e lojas de luxo e um monte de gente esnobe).

Deauville

Deauville

Tendo em vista que no verão essa cidade fica lotada, o caminho mais curto entre Deauville e Paris, e que passa por Rouen, fica bastante congestionado. A dica para a volta é pegar um caminho um pouco mais longo, pela E44, que passa pela ponte de Normandia. A volta fica cerca de 30km mais longo, mas sem tráfego algum.

Ponte de Normandia

Ponte de Normandia

Lembre-se de ter uma moedas, ou melhor, várias moedas na carteira (ou seu cartão de crédito) para pagar os pedágios nas estradas principais.

 

Vinho Francês Bom e Barato

CURITIBA (comprar ou não comprar) Comprar vinho bom e barato é um desejo comum de quem visita a França e gosta de vinho, é claro. Mas o que é um preço razoável para uma garrafa de vinho na França? Conversando com vários colegas em Rouen na semana passada, deu pra concluir que por lá ninguém costuma pagar mais do que 10EUR numa garrafa de vinho. Os mais mão-de-vaca me disseram que não pagam mais que 5EUR pois por esse valor eles encontram vinhos razoáveis.

Mas como saber se o vinho é bom antes de experimentar? Dá pra ver a coisa como um problema de reconhecimento de padrões. Primeiramente extraímos algumas características para alimentar um classificador que atribuirá uma das classes a garrafa: compra ou não compra. E que características usar?

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Algum tempo atrás um colega Francês me ensinou algumas:

1) Veja o fundo da garrafa. Segundo ele você deve evitar aquelas garrafa baratas com fundo chato. A teoria dele é que se o vinho é bom, o produtor não vai usar garrafas vagabundas. Por outro lado, uma boa garrafa não é garantia de um bom vinho. De qualquer forma, olhe o fundo da garrafa e evite aquelas com fundo chato.

2) Denominação de origem (Appellation d’origine). É um rótulo oficial do governo Francês que certifica que aquele produto vem de uma determinada região. Isso garante que um Cahors vem da região de Cahors e de nenhum outro lugar. De volta, isso não quer dizer que o vinho é bom, apenas que ele foi produzido observando certas regras impostas pelo governo.

3) Mis en Bouteille a la Propriété: Significa que o vinho foi engarrafado na propriedade em que foi produzido. Em certos vinhos mais baratos você vai encontrar a indicação que o vinho foi engarrafado por uma cooperativa ou por uma empresa. Nesses casos, o produtor vende seu vinho para alguém engarrafar. Nada impede que a empresa ou cooperativa misture vinhos de diferentes produtores para maximizar o lucro.

4) Recoltant: Essa eu aprendi na semana passada. Alguns vinhos levam uma etiqueta com essa palavra em cima da rolha. Isso quer dizer que o vinho foi feito com pelo menos 95% de uvas da mesma vinícola. Sinceramente não sei dizer porque uvas de diferentes vinícolas devem produzir um vinho de qualidade inferior. Talvez por falta de controle de qualidade, etc.. Sei lá…

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Resumindo, se você estiver na dúvida entre comprar ou não um vinho, dá uma olhada na garrafa pra ver se você encontra essas características. De acordo com minha experiência, isso funciona na maioria dos casos. Se quiser maximizar a chance de uma boa garrafa, tente se aproximar dos 10EUR ou passar se o seu bolso permitir.

Falésias de Étretat

ROUEN (ainda molhada) Ontem fizemos um programa cultural com o pessoal do nosso workshop, uma visita as falésias de Étretat. Étretat é uma cidadezinha que ferve no verão e fica a cerca de 90km de Rouen. Agora no inverno, porém, não tem ninguém. Como nosso objetivo era conhecer as belezas naturais do lugar e não encontrar turistas, a viagem foi perfeita.

Chegando na praia você tem tem dois caminhos. A direita as falésias d’Amont e a esquerda as d’Aval. Em ambos os casos você terá uma bela caminhada morro acima, de onde a vista das falésias é ainda mais impressionante.

Falésias d'Amont

Falésias d’Amont

Falésias d'Aval

Falésias d’Aval

O lado esquerdo é o mais impressionante. A natureza caprichou desse lado  cavando túneis e moldando um belo arco. E não são somente os turistas que fotografam essas falésias. Claude Monet se inspirou nas falésias de Étretat diversas vezes para pintar seus quadros. Uma curiosidade com relação ao primeiro quadro: alguns cientistas apaixonados por arte  da universidade do Texas concluíram que a obra foi pintada no dia 5/2/1883 por volta das 16h.

Claude Monet Etretat

De cima das falésias do lado esquerdo o visual é magnífico. Nem tentarei descrever aqui.

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Quando estava voltando reparei nessas guaritas de concreto que estão ao longo da praia. Me explicaram então que elas foram construídas pelos alemães durante a segunda guerra e eram utilizadas como escudos. Eles imaginavam que os aliados iam chegar por ali. Erraram por pouco. Os aliados desembarcaram mais ao sul da Normandia no dia 6/6/44, no que ficou conhecido como Dia-D.

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Rouen

ROUEN (molhado) Rouen não é o que podemos chamar de uma cidade turística mas tem lá seu charme, assim como a maioria das cidades medievais da Europa. A grande maioria dos turistas passa um único dia aqui fazendo um bate-volta saindo de Paris, já que o trem que liga as duas cidades faz o percurso em cerca de 1:30h.

Estou passando a semana aqui na capital da Normandia em função de um projeto de colaboração acadêmica internacional que tenho com o pessoal do Chile e da França. E tenho a sorte de estar sendo ciceroneado pelos meus colegas da Universidade de Rouen que estão me levando naqueles pequenos restaurantes que eles costumam frequentar. Além disso, é sempre bom ter um guia local pra visitar a cidade. Aqui vão alguns dos lugares que visitei durante esses dias:

1) Igrejas: Se você gosta de visitar e observar a arquitetura de igrejas antigas, certamente vai gostar de Rouen. Victor Hugo chamou a cidade de “lugar das 100 torres”. Tem torre de igreja em todo canto. A mais famosa delas que pode ser vista de qualquer lugar é a torre da Catedral Notre Dame, que mistura os estilos romano e gótico e teve o início de sua construção em 1030.

Catedral Notre Dame de Rouen

Outra igreja que chama atenção é a Saint-Ouen de Rouen. Na realidade o bacana dessa igreja é o enorme jardim na parte de trás. No verão esse gramado fica lotado de gente querendo aproveitar os longos dias de sol. E tem que aproveitar mesmo pois no inverno chove pra cacete! Deixa Curitiba no chinelo.

Saint-Ouen

2) Praças: E perto de toda igreja tem uma praça. Como estamos perto do natal, várias delas tem um mercadinho com coisa de natal, quentão, comida, etc. Apesar do frio a coisa é animada. A praça mais conhecida é a praça do vieux marché (velho mercado). Alí você pode encontrar um monte de bares e restaurantes. Parece ser um dos cantos mais agitados do velho centro. Nessa mesma praça fica a Igreja de Joana D’Arc e também o local onde ela foi queimada viva em 1431

Joana D'arc

Local onde Joana d’Arc foi queimada viva em 1431. Igreja ao fundo.

A torre onde Joana D’Arc ficou presa é o que restou de uma antigo castelo e está aberta para visitação. Esta fica a algumas quadras da praça do velho mercado perto da estação de trem de Rouen

Torre Joana D'Arc

3) Palais de Justice: O Palácio de Justiça é um dos prédios mais imponentes da cidade e com uma riqueza de detalhes que impressiona. O prédio que teve sua construção iniciada no século XV foi sede do parlamento da Normandia no século XVI e foi fortemente afetado durante a segunda grande guerra. Ainda hoje possível ver as marcas da guerra nas paredes do palácio.

Marcas da segunda guerra mundial nas paredes do palácio.

Marcas da segunda guerra mundial nas paredes do palácio.

Palácio de Justiça de Rouen

4) Ruelas da Cidade Velha. O centro histórico de Rouen é um verdadeiro mergulho no passado e merece um passeio sem pressa. Por ali você vai encontrar alguns cartões postais, como o Gros Horloge (grande relógio) construído em 1389.

Gros Horloge

Outra coisa que chama atenção é a arquitetura da Normandia. A grande maioria das casas de até quatro andares tem estrutura em madeira aparente pintadas de diversas cores. A maior parte delas em ótimo estado de conservação.

Arquitetura típica da Normandia

Outra ruela bem simpática que merece uma volta sem pressa é a Eau de Robec. Trata-se de uma rua com um canal estreito e uma dezena de mini-pontes. Ali você vai encontrar alguns bares e restaurantes bem aconchegantes.

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Em resumo, apesar de não fazer parte do roteiro tradicional de turismo, Rouen certamente vale a pena.

Tosco tomando vinho

MONTREAL (boa pedida) Perto de Cahors, no sudoeste da França, tem uma outra região pouco conhecida que faz uns vinhos bem interessantes. Os vinhos de Madiran também são bem incorpados e talvez seja por isso que estão na minha lista. Esse Chateau Laffitte Teston, definitivamente é uma boa pedida. Usando a velha terminologia, GGG1/2!

Tosco tomando vinho

MONTREAL (calor e úmido) Como vovês sabem, sou chegado nos vinhos de Cahors. Ontem, numa tarde muito agradável, conheci um vinho muito interessante. Esse Chateau de Gaudou, tem todas as características dos vinhos de Cahors, mas é bastante suave. Com certesa entrou na minha lista de favoritos!

Quanto ao Chatons du Cedre, esse eu já conhecida de outros carnavais e também está na minha lista. Porém, ontem ele perdeu a batalha.

Tosco tomando vinho

CUIRTIBA (Noite fria…) Para quem me conhece, sabe que Cahors é minha região predileta em se tratando de vinhos. Em geral o sudoeste Francês produz alguns vinhos muito bons, tais como Cahors, Madiran e Corbieres. Como é uma região menos conhecida que Bordeaux, por exemplo, os vinhos são
consideravelmente mais baratos. Nessa foto um dos melhores, segundo minha opinião e também a de alguns guias metidos a besta. Se trata de um Chateau du Cedre 2004.

Acompanhado desses queijos que Marisa comprou, nem preciso dizer que não existe combinação melhor!