Volubilis

LISBOA (that’s it) E par fechar o tour pelo norte africano, fui conhecer Volubilis, um dos sítios arqueológicos mais belos do Marrocos, declarado patrimônio mundial da UNESCO em 1997. Reza a lenda que o povoado berbere (os habitantes originais do Marrocos) foi conquistado por Calígula em 45dc que fez do local o posto avançado mais remoto do império romano.

O sítio arqueológico tem cerca de 5000m2 e apesar dos séculos ainda dá pra observar claramente a alameda principal ligada por dois arcos.

O mais imponente é o arco triunfal, construído em 217dc em homenagem ao imperador Caracala e sua mãe.

Também chama a atenção a Basílica, que tem uma das duas paredes quase inteiras, o que nos dá plena noção do tamanho e imponência do prédio.

Outra coisa que resistiu ao tempo foram os mosaicos presentes em várias casas. Um mais bonito que o outro e todos em excelente estado de conservação, considerando que são do século 3.

Por volta de 786 Volubilis declinou pois o manda chuva da época (Moulay Ismail) resolveu construir sua capital em Meknes e por isso saqueou todo o mármore da cidade. Mais ou menos o que aconteceu com o Coliseu em Roma depois que proibiram as lutas de MMA, digo, de gladiadores.

A cidade virou ruinas de vez depois do terremoto de 1755, aquele que destruiu Lisboa. Em 1915 os franceses, que dominavam o pedaço, começaram as escavações no local e grande parte do que se vê hoje foi encontrado naquela época. Mais tarde o trabalho exploratório continuou com equipes inglesas da Universidade College London.

Tá aí uma coisa que eu nem imaginava encontrar no Marrocos. Vale a visita. Na saída do local tem uma bodega que vende…. adivinha o que?  Chá de Menta! Como estava meio frio, me rendi a um chazinho quente.

 

Dirigindo no Marrocos

FEZ (no navigator to find my way home) Respondendo algumas perguntas sobre dirigir no Marrocos.

Aluguel de Carro: Ouvi dizer que algumas companhias locais tem preços mais atrativos do que as locadoras internacionais. Eu ainda prefiro pagar um pouco mais caro e pegar um carro da Avis/Hertz/etc. Pelo menos você sabe que vai ter um carro em boas condições e não muito rodado. O preço é bem parecido com os preços praticados na Europa. Não esqueça de reservar um carro com ar condicionado, pois certamente você vai precisar dele.

Pedágio: As principais rodovias são pedagiadas e estão em boas condições. Para se ter uma ideia de valores, o trecho Casablanca-Marrakesh com pouco mais de 200km sai por 73 MAD, cerca de R$ 16. Ou seja, não é barato.

Limite de Velocidade: Eu nunca vi tanta polícia rodoviária na minha vida. Eles estão por toda parte com seu radares móveis. Mas a maior concentração de radares está nas entradas das cidades quando o limite de velocidade muda para 60km/h. E foi numa dessas que eu paguei uma multa de 300 MAD. O guarda me pegou a 70km/h quando o limite era 60km/h. E aqui tem que pagar na hora. Se você não tiver dinheiro, ele fica com seu passaporte e habilitação até você voltar com a grana. Fica a dica, muita atenção nas placas.

Habilitação: Não precisa de carteira internacional. Antigamente era necessário pois nossa habilitação não tinha foto.

Seguro: Eu sempre pego o seguro básico da locadora. E aqui não foi diferente. Mas vendo do jeito que os caras andam, acho que eu deveria ter pego o seguro adicional que me ofereceram.

Preço do Combustível: O litro da gasolina está na faixa de R$ 2.20. Tenha dinheiro no bolso. Nenhum posto que eu parei aceitava cartão de crédito.

GPS: Um GPS é sempre muito bom, principalmente quando funciona. Como eu deixei tudo para a última hora, baixei para o meu Garmin Nuvi o primeiro mapa gratuito que encontrei na internet.  Esse aqui. Testei, vi que os mapas estavam lá e então coloquei na mala. O problema é o GPS não consegue calcular a rota com esses mapas. A rota que ele gera fica como na foto abaixo. Ele traça a rota onde não tem estrada. Me virei colocando as coordenadas dos pontos de interesse e fui fazendo a rota “on the fly”. Bom pra treinar a navegação 🙂

Estacionamento: Estacionamento pagos são fáceis de encontrar e são relativamente baratos, principalmente quando comparados a Europa. Uma praga conhecida muito bem por nós Brasileiros, os flanelinhas, estão por toda parte. E aqui, em geral, você paga adiantado e tem que deixar o freio de mão do carro solto para que eles possam “gerenciar” melhor as vagas disponíveis.

E o Trânsito?: É uma zona mas no fim eles se entendem. Nos cruzamentos sem semáforo passa primeiro que buzina mais forte ou quem é mais macho. Se você ficar parado esperando algum tempo a sua vez, logo vai ouvir uma buzina e algumas palavras em árabe, que não devem ser nenhum elogio. Nas vias para dois caros, em geral passam três e mais umas duas garelis.  Sinto Cinto de segurança é obrigatório mas ninguém usa. O mesmo vale pra capacete.

Vale a pena?: Eu diria que apesar do stress vale a pena. Visitar estradas como as do Alto Atlas é meio complicado se você não estiver de carro. E não esqueça o CD de MP3. Uma hora você vai ficar de saco cheio de escutar música árabe.

 

 

 

 

 

 

 

Fez

FEZ (ou fes) Fez, fundada em 789, é a antiga capital  política e administrativa do Marrocos, entretanto, é até hoje a capital religiosa e intelectual do país. É também conhecida como a principal cidade imperial. A medina de Fez, tombada pela UNESCO, é a maior do Marrocos. Cerca de 300 mil pessoas moram e trabalham dentro da medina.

Então vamos a ela. Seguindo a sugestão de um colega, contratei um guia para me mostrar a medina. O preço dos guias é meio tabelado (cerca de EUR 15) e eles estão por toda parte. Na porta do meu hotel tinha um de plantão, o Monsieur Ali.

Larguei o carro no hotel e fomos de taxi, pois o estacionamento perto da medina custa mais caro do que ida/volta de taxi. Começamos a visita pelo portão azul,  a mais famosa das muitas entradas da cidade antiga.

Depois de caminhar bastante pelas vielas estreitas, M. Ali me levou para conhecer um dos cartões postais da cidade, os famosos curtumes. O cidadão de uma das cooperativas locais me explicou que eles trabalham com diferentes tipos de couros (vaca, ovelha, cabra, etc) e todas as colorações são feitas com produtos naturais. O cheio é muito forte. Uma senhora do meu lado saiu rapidinho com ânsia de vomito.   

Pra amenizar um pouco eles fornecem umas folhas de hortelã pra você ficar cheirando enquanto tira fotos. E você aí reclamando do seu trabalho…

Seguimos nossa visita e M. Ali foi me explicando que o interior de algumas casas é muito belo e requintado. Totalmente diferente da impressão de um local pobre que temos quando caminhamos pelo lado de fora. Abaixo uma foto do interior de uma residência que hoje serve como uma loja de tapetes.

Outras construções impressionantes, como não poderiam deixar de ser, são as mesquitas. Segundo M. Ali, existem cerca de 150 mesquitas na medina. Eu achei muito, mas ele disse que é isso mesmo. A maior e mais bela, ainda segundo M. Ali é a Mesquita de Andaluza. Abaixo uma foto tirada da porta de uma das mesquitas pois não-mulçumanos não podem entrar.

Atualização: Hoje voltei na Medina e visitei um dos monumentos mais imponentes do local, a Medersa (escola corânica) de Bou Inania. O prédio foi fundado em 1351 e foi renovado no século 18. O estado de conservação e a quantidade de detalhes da construção impressiona. A visita custa 10 dinheiros marroquinos.

Em resumo, a cidade antiga de Fez é certamente um local que deve estar na sua lista quando visitar o Marrocos. De todas as medinas, essa é a mais interessante de todas.

 

Essaouira

MARRAKESH (azul e branco) Segundo o guía, uma das atrações imperdíveis por aqui é a cidade de Essaouira. Então lá fui eu. A estrada que leva a Essaouira sai pela periferia de Marrakesh, a qual tem um trânsito caótico e digamos que o pessoal não preza muito pela limpeza. Um cenário meio deprimente dominado pelas construções na cor ocre e centenas de antenas parabólicas.

Todos os vilarejos que eu cruzei na estrada são tomados pelas barracas de comércio. Bicicletas, garelis, cadeira de rodas, pedestres e carros dividem o mesmo espaço. Dirigir por aqui é realmente um aventura.

Chegando em Essaouira fui visitar a medina (parte antiga). Essa é um pouco mais tranquila do que a de Marrakesh e mais agradável de se caminhar. Os vendedores também não são tão agressívos como em Marrakesh. Os padrões de higiênie, entretanto, são os mesmos. Carne fora de refrigeração em rua empoeirada é bastante normal.

As tâmaras também.

Além da medina, outros dois pontos que merecem atenção são o porto e a Skala de la Ville. O porto pesqueiro é bastante movimentado no fim da tarde quando os barcos retornam da pesca. Diz que tem um leilão no fim da tarde que é um espetáculo a parte. Eu não tive paciência pra ficar esperando.

A Skala de la Ville é um impressionante bastião marítimo com uma coleção de canhões de bronze europeus.Um belo local pra sentar e ficar observando a imensidão azul. Embaixo ficam as oficinas dos artesões que trabalham com madeira. Comprei uma máscara para a minha coleção.

 

 

Pra Lá de Marrakesh

MARRAKESH (subindo) Hoje fiz uma estrada que corta os Altos Atlas, uma cadeia de montanhas com mais de 400 picos acima dos 3000m e 10 acima dos 4000m. O pico mais alto é o Jebel Toubkal. Com 4167m é também o mais alto do norte da Africa.

O objetivo da viagem era ir até Ouarzazarte para visitar algumas Casbás, que são aldeias tribais fortificadas geralmente habitadas por berberes. A estrada que vai de Marrakesh a Ouarzazarte se chama “Na Tizi N Tichka”. e tem cerca de 180km. O que o nome tem de complicado a estrada tem de bonita.

Fiz uma primeira parada pra tomar um suco de laranja quando estava perto do ponto mais alto da estrada, cerca de 2200m de altitude. Suco de laranja natural e chá de menta você encontra em qualquer buraco. Já uma cerveja….

Outra coisa que parece ter em todo lugar é gente querendo te vender alguma coisa. Em toda curva da estrada tem gente vendendo pedras e fósseis. Eu parei numa curva pra tirar umas fotos e do nada apareceu um cara com umas pedras na mão. É impressionante!

Depois de atravessar as montanhas a paisagem muda completamente de após alguns quilômetros você se encontra no deserto Marroquino, que é na sua maior parte, parecido com a paisagem da foto abaixo. Me lembrou bastante o Atacama. Aquelas dunas bonitas do Saara são poucas e estão mais ao sul.

Passei por algumas Casbas no caminho mas resolvi visitar a Casbá Taourirt, em Ouarzazarte, que segundo o guia é uma das mais bonitas do Marrocos. Paga-se 20 pilas Marroquinas (cerca de R$ 4,50) para entrar e poder visitar a suntuosa residência. Se você quiser tem um guia a sua disposição louco pra te dar algumas informações por alguns trocados.

Pausa pro almoço pois ninguém é de ferro. E a fome era tão grande que eu esqueci de fotografar meu prato principal. Só lembrei da salada.

Marrakesh

MARRAKESH (hot) Meu carro alugado ainda estava lá e o senhor que queria dinheiro na noite anterior apareceu do além. Como eu ainda não tinha dinheiro, mandei ele a merda novamente (agora um pouco mais calmo) e dessa vez ele ficou puto. Fazer o que?

Achei um ATM pra pegar dinheiro e me mandei pra Marrakesh. A estrada é toda pedagiada e relativamente bem conservada. O pessoal dirige que nem maluco. Todo mundo buzina pra qualquer coisa e ninguém dá sinal pra nada. O trânsito é infestado por umas malditas motoquinhas, igual aquelas garelis, que carregam até três pessoas. Capacete é acessório.

A viagem transcorreu tranquilamente e duas horas depois já estava no meu hotel. Sem tempo a perder fui bater pernas.

A cidade fundada em 1070 é dominada pela praça central (Djemaa el-Fna) onde tudo acontece. Tem música, gente dançando, gente vendendo, gente comprando, ou seja, uma zona. As fotos não representam muito a bagunça que é isso aqui. Eu fiz um pequeno video e depois quero ver se subo no vocetubo.

A outra atração da cidade, um paraíso pra quem gosta de mercados, são os Souks. O troço é um labirinto de vielas com um monte de turistas, uma grande variedade de produtos (tem de tudo que você possa imaginar) e um monte de cheiros.

E não encare os vendedores nos olhos, a menos que você queira comprar algo. Olhou nos olhos o cidadão vai te pegando pelo braço e te puxando pra negociar.  Cuidado também com os chamados falsos guias. O cara pergunta se você quer ajuda e depois vai querer te cobrar pelo serviço.

No meio dos Souks você também pode encontrar alguns restaurantinhos bem simpáticos com boa comida e um preço razoável. Mas como não são restaurantes para turistas, eles não vendem cerveja, pois o mulçumano além de não beber não pode vender. Mas o Cous Couz Royal que eu comi valeu a pena.

Ao lado da praça está a mesquita de Koutoubia construída em 1570. Igualzinho nos países católicos, um templo religioso na principal praça da cidade.

E pra relaxar um pouco da loucura que é essa Marrakesh, nada como dar uma relaxada nos Jardins atras da mesquita. Um dos poucos lugares tranquilos que eu encontrei no meio do caos.

Chegada Conturbada

CASABLANCA (tired) Resolvi aproveitar o deslocamento e tirar alguns dias de férias pra visitar o Marrocos. Depois de alguma pesquisa e alguns emails trocados com alguns colegas resolvi concentrar meu tempo no sul. Se der tempo visito alguma cidade do norte.

O voo do Porto pra Casablanca foi tranquilo com uma escala em Lisboa onde peguei um teco-teco. Passei pela imigração Marroquina rapidinho e logo estava no saguão do aeroporto. Nesse momento você já é afrontado por uma realidade bem diferente. Guardas fumando pelos cantos, homens se abraçando e se beijado (isso é bastante normal na cultura local), mulheres só com os olhos de fora e uma falta de informação danada. Ninguém sabia onde era o balcão da Avis. Por outro lado ganhei uns 3 cartões de companhias de aluguel de carro locais.

Depois de alguma procura encontrei as locadoras num canto do aeroporto. Levou um tempo mas consegui alugar meu carro. O cidadão não conseguiu passar um dos meus cartões mas passou o segundo. De repente ele disse que queria anotar o número do meu primeiro cartão pra ver o que tinha acontecido. Dá pra acreditar numa coisa dessas?  Pedi pra falar com o gerente da loja e aí meu carro ficou pronto rapidinho.

Nessa confusão esqueci de sacar dinheiro no aeroporto. Tinha apenas alguns euros no bolso. Peguei a estrada seguindo somente as placas pois os mapas que eu baixei para o GPS por algum motivo não estão roteando. E no fim de uma curva de o que aparece? Um pedágio! Larguei aquele sonoro fudeu!!

Perguntei pro cidadão se dava pra pagar com cartão.  Não dá, disse ele. E Euro, aceita euro? O lazarento olhou pra minha cara e disse, 10 Euros. O pedágio custava 5 Dirham (coisa de EUR 0.50). Usei alguns dos palavrões que ainda lembro em Francês e depois de algum tempo ele disse que agora não aceitaria mais os euros. Nisso formou uma fila de carros até que um senhor bastante simpático saiu do carro de trás e me deu uma moeda para eu pagar meu pedágio.

Cheguei no hotel que eu reservei para passar a noite e larguei o carro na frente do hotel, pois não tinha garagem. Logo apareceu um senhor dizendo que eu tinha que pagar. Merde, j’ai pas d’argent !! E fui dormir torcendo para que meu carro esteja lá amanhã.

Bem, assim foi meu primeiro dia em terras Africanas. Vendo pelo lado bom, encontrei uma boa alma que me emprestou dinheiro! Amanhã rumo a Marrakesh