Tosco Tomando Vinho

MONTREAL (packing) O negócio é aproveitar os preços descentes e a boa variedade de Cahors que a gente encontra por aqui. Aqui vão alguns para o catálogo do tosco.

O primeiro da semana foi o Chateau St Didier-Parnac 2010. Foi uma recomendação do rapaz da loja de vinhos. Talvez seja algum problema com essa safra, mas não estava aquelas coisas. Tomamos no Khyber Pass acompanhado de um maravilhoso carneiro, como sempre. O vinho não estava na altura do prato. Daria uma GGG para ele.

O segundo da série é um velho conhecido, o Clos la Coutale. A foto é do ano passado mas o vinho é o mesmo. Inclusive a safra, 2009 (GGGG1/2). Tomamos no Le P’tit Plateau, um pequeno bistro Francês com meia duzia de mesas.

Pra acompanhar um salmão defumado que comi como entrada é perfeito. Alias, recomendo fortemente esse restaurante. Mas faça reserva.

E pra fechar a semana, um Comte du André. Uma grata surpresa com um preço bem acessível por aqui (GGGG). Casou perfeito com a macarronada preparada pelo Chef Eduardo (meu ex-aluno).

 

O Pau Comeu

MONTREAL (almost done) Ontem saí pra jantar com alguns amigos e como a temperatura estava agradável (cerca de 5C) resolvi fazer uma caminhada solitária de volta pra casa. Logo na saída do restaurante observamos um movimento anormal de policiais, helicóptero da polícia sobrevoando a cidade, etc. Ficamos ali conjecturando sobre o que poderia ser aquilo e cada um seguiu seu caminho.

Meu trajeto tinha cerca de 3km por uma das principais ruas do centro de Montreal, a Saint Catherine. Passeio agradável relembrando minha época de estudante e andarilho até que dou de cara com uma passeata.

O que está acontecendo aqui é que o governo provincial quer aumentar as taxas de escolaridade das universidades. Para se ter uma ideia, hoje um curso de engenharia, para um cidadão quebecois, custa na faixa de uns CAD 2500/ano. Ou seja, quase de graça, quando comparado com outras províncias do país, e até mesmo se compararmos com universidades particulares Brasileiras.  Estrangeiros e canadenses de outras províncias pagam mais caro se quiserem estudar aqui.

E esse baixo custo da anuidade é motivo de orgulho para os quebecois. Afinal de contas, educação pública de qualidade é que vai continuar gerando a massa pagadora de impostos de amanhã. E como aqui a população não é de deixar barato, os estudantes entraram em greve e foram pra rua. Aqui tem mais informações sobre o impasse.

Voltando a passeata de ontem, esta foi mais uma manifestação organizada pelos alunos. E eu, que caminha tranquilamente pela rua pensando no passado, de repente me vi no meio da massa. Como não consegui andar no sentido contrário, resolvi ficar parado no lado da rua e esperar o povo passar. Mas como vândalos acéfalos não são exclusividade Brasileira, alguns imbecis resolveram quebrar vitrines e carros estacionados. Então a polícia que observava tudo de longe entrou na parada e o pau comeu. Bombas de efeito moral e gás lacrimogênio foram arremessadas para perto de onde eu estava. Aí foi aquela correria. Meu olhos começaram a arder e não tive muito o que fazer a não ser correr com a multidão.

Consegui escapar ileso e resolvi correr pra casa antes que me prendessem por engano. Mas tudo isso pra dizer que estou com inveja deles. Nós Brasileiros, talvez por comodismo, talvez porque já perderam a capacidade de se indignar, vemos tudo passivamente. Somos sacaneados, roubados e desrespeitados sempre que precisamos de um serviço público e fazemos o que?

Nossas universidade são sucateadas e pessimamente administradas. Gasta-se muito dinheiro com uma burocracia que tende ao infinito. Consequência disso são salas de aula de merda, laboratórios ultrapassados e banheiros que fedem e sem papel higiênico. Acho que temos que começar a cobrar anuidade. Será que alguém vai se opor?

 

Tosco Tomando Vinho

MONTREAL (that’s it) Ontem jantei com Robert, meu ex-supervisor de doutorado, com quem eu mantenho alguns projetos de colaboração acadêmica. Fomos num pequeno restaurante Francês (Le P’tit Plateau) que ele queria conhecer. Esse restaurante é do tipo “Apportez Vortre Vin”, ou seja você pode comprar seu vinho em qualquer lugar e tomar no restaurante. E melhor, o restaurante não cobra por isso. Eu acho esse conceito sensacional. Não são todos os restaurantes da cidade que permitem isso. Um guia daqueles que permitem isso pode ser encontrado aqui.

Como aqui a variedade de Cahors é boa e os preços são acessíveis, pegamos duas garrafas clássicas. A primeira era um Chatons du Cèdre 2008. Já tomei esse vinho diversas vezes, mas desta vez ele estava ácido demais. Talvez devesse ficar mais algum tempo guardado. Mas eu não tenho tanto tempo assim!

A segunda garrafa foi um Clos la Coutale 2009. Consultando alguns posts mais antigos, reparei que eu já tinha experimentado esse vinho. Foi um 2007 e pelas minhas notas estava bom. Mas esse 2009 estava particularmente bom, talvez pelo fato de que o Chatons du Cedre deixou um pouco a desejar.

Serviço:

Le P’tit Plateau, 330 Marie Anne Est (esquina Drolet), Montreal. Fone 514-2826342. Faça reserva.

Almoço na Escola

MONTREAL (muito bom) Hoje fui almoçar num restaurante Indiano que fica pertinho da universidade. Se trata de um restaurante escola, onde você pode aprender com o chef do restaurante alguns pratos da apetitosa cozinha Indiana. Por $50 você tem uma aula de duas horas com direito a comer o que você preparou.

Como a minha especialidade se resume a degustação, matei a aula e fui só para o almoço. O cardápio do restaurante é simples mas os pratos são muito bons. Hoje fui no número 2 (Poulet Masala) o qual estava caprichado na pimenta. Essa semana ainda volto lá.

Preço honesto e uma excelente comida. Só não se espante com o “look” espartano. Mais informações aqui.

Habitat 67

MONTREAL (esquentou) Pra quem gosta de arquitetura acredito que esse prédio seja um prato cheio. Olhando de longe parece um favelão, não?

Aqui você pode encontrar mais algumas fotos desta intrigante construção. Dá pra ver que está longe de uma favela, muito pelo contrário. Se trata do Habitat 67, um prédio que foi construído para a Expo 67 (International and Universal Exposition 1967).

Almoço com os Polacos

MONTREAL (esquentou) Hoje fui com meu amigo Jean Phillipe e sua mãe num almoço beneficente da comunidade Polonesa aqui em Montreal. Como o Canadá é um país que acolhe bem os povos de todos os cantos do mundo, em vários cantos da cidade você encontra esse tipo de evento. Pra quem vem de Curitiba, comida Polonesa não é nenhuma novidade. Os polacos estão espalhados por todos os cantos da cidade, não é Renatão?!

A comida estava boa. Pedimos um monte de pratos diferentes pra fazer um “rodízio”.

E como em todo almoço beneficente, tem um monte de gente vendendo toda sorte de coisa que você pode imaginar. A degustação de salsichas e embutidos foi uma boa pedida.

Cheguei

MONTREAL (cold) Acabo de chegar em Montreal pra uma semana de trabalho na ETS. Primavera Québécois e o termômetro marcando -2C.

Viagem em classe econômica é aquela coisa. Como desgraça pouca é bobagem, na minha frente veio uma família com 3 anjinhos. O mais santo deles não parava de bater a cabeça na poltrona. Eu querendo ver o filme e a poltrona balançando. Quando eu ia dar um cascudo no guri o pai dele se tocou e deu o cascudo no meu lugar. As garrafinhas de vinho que tomei junto com o bandeijão me ajudaram a dormir um pouco.

Chegamos no horário em Toronto, alfândega tranqüila, mala na esteira, conexão no horário, vôo vazio, e poltrona na saída de emergência com espaço para esticar as pernas!

Me dei bem, pensei. Mas aí começaram os avisos do comandante.
- O marcador de combustível não tá funcionando.
- Estão vindo arrumar.
- Vão colocar mais gasolina
- Colocaram mais gasolina e agora a gente não tem certeza de quanto combustível tem.
- Vamos tentar trocar o computador.

Uma hora e trinta minutos depois o último aviso.

- Fudeu prezados passageiros! Vamos cancelar o vôo e colocar vocês no próximo.

Felizmente tem vários vôos entre Toronto e Montreal. Mas como juntaram dois em um, o meu vôo estava lotado até o talo e aquela minha poltrona na emergência foi pro espaço. Mas enfim, cheguei.

Dois Minutos

CURITIBA (if fait froid)Recebi esses dias esse vídeo de DOIS minutos sobre Montreal. Apesar de quase não mostrar muitos pontos turísticos da cidade o cidadão (esse é um dos problemas da internet, pois não posso dar o crédito)  conseguiu capturar a essência do que é Montreal no verão. Simplesmente sensacional!

Bateu uma certa saudade especialmente quando aparece o letreiro da “Farine Five Roses” lá pelo minuto 1’30”. Além de ser um clássico da cidade, era o que eu via da janela do meu apartamento!

Canal Lachine

CURITIBA (sem carro??) Sábado passado reservei o dia para uma pedalada com alguns amigos em Montreal, aproveitando que meu voo de volta pra casa era tarde da noite. Logo quando acordei achei que a coisa não ia sair pois fazia 5 graus e eu não estava preparado para o frio.

Depois do meio-dia a temperatura deu uma subida e salvou nosso dia. Vesti minha camiseta de cicloturista e partimos em direção do canal Lachine. Esse canal foi construído para que barcos pequenos pudessem navegar o Saint Laurent já que uma parte do rio tem algumas corredeiras. Ficou abandonado por muito tempo e foi revitalizado no começo desta década. É um lugar muito agradável de se pedalar pois existem ciclovias em toda a extensão do canal.

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A ideia era fazer parte de um caminho que eu e Marisa faziamos bastante na nossa época de estudante. Alias, bons tempos aqueles onde a única preocupação era uma tese de doutorado pra acabar!!

Saí na companhia de Paulo, Marcelo e Eduardo. Todos alunos de doutorado no mesmo laboratório que eu costumava frequentar. Paulo trabalhou algum tempo na Invisys e Eduardo foi meu aluno de mestrado na PUCPR. Como não ferrei muito do guri ele me emprestou uma bike para o passeio.

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Na volta fomos seguindo o rio pois Eduardo tinha comentado que tinham algums cabras-macho que surfavam nas corredeiras do rio.  Cabra-macho sim, pois a temperatura da água não deve passar de uns 10 ou 15 graus no verão. E lá estavam os caras. Tinha até fila pra pegar a pequena onda que não sai do lugar.

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Em resumo, foram 31km em boa companhia para matar um pouco as saudades do tempo que eu só andava de bike ou a pé. Aos companheiros de pedal, boa sorte e aproveitem o inverno que se aproxima :)

Mapa do percurso disponível aqui

Le Voyageur

MONTREAL (chovendo e ventando) Durante os anos que morei aqui tive a sorte de conhecer um monte de gente de diversos lugares do mundo. Graças ao Facebook ainda tenho contato com a maioria deles pois estão todos espalhados por esse mundo afora, ou em seus países de origem ou onde arrumaram trabalho.

Entre a maioria esmagadora de estrangeiros do laboratório tinham alguns Quebecois, não muitos. Pra quem não conhece, laboratórios de universidades nos Estados Unidos, Canada e Europa em geral são povoados por estrangeiros.

Enfim, um dos nativos que estava lá quando cheguei aqui em 2000 era Jean Philippe. JP é uma pessoa sensacional da qual tenho um imenso orgulho de ser amigo. Sendo assim, sempre que venho pra cá fazemos alguma coisa juntos, sempre com um bom vinho.

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JP é um viajante inveterado. Em geral ele trabalha durante algum tempo, junta seu dinheiro e parte para algum lugar do mundo.  E não são viagens de 1 mês e sim de 4 a 6 meses.

Agora ele está de viagem marcada para o continente Africano onde vai passar 6 meses viajando com uma motocicleta. Alguns anos atrás ele fez algo parecido na Índia. Se tiver interessado em acompanhar essa aventura, que começa em Outubro, coloque o blog dele no seu RSS.

Ontem passamos uma boa parte da noite discutindo sobre GPSs e os sites disponíveis para colocar os “tracks” percorridos. Como não poderia deixar de ser, sempre na companhia de um bom vinho, desta vez um Minervois très bon (GGG1/2)

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