Multando Ciclistas

MONTREAL (watch out) Ciclista em geral é um bicho folgado. Reclama de tudo e de todos mas volta e meia está fazendo suas cagadas. Me incluo nas estatísticas. Um exemplo clássico é o sinal vermelho. Na mente dos ciclistas ele foi feito para os caros e não para bicicleta. Bicicleta pode passar no sinal vermelho, afinal de contas, bicicleta não é carro. Também pode andar na calçada. Bicicleta é pequena e ágil.

Pode o caralho! Foi o que decidiu a policia de Montreal. Se a policia te pegar fazendo cagada nas ruas de Montreal, você vai ganhar uma multa. E eles estão por toda parte centro da cidade. O cidadão abaixo foi parado por duas infrações. Cruzou o sinal vermelho e estava de fone de ouvido (o que é proibido aqui.)

Multa no ciclista

Eu estava esperando pra atravessar a rua quanto a abordagem aconteceu. Fiquei de butuca pra ver o que ia acontecer. O policial foi muito educado. Pediu o documento do ciclista e explicou porque ele foi parado. O ciclista, é claro, de aquela de joão-sem-braço (aqui conhecido como armless-john), mas não colou. Tomou uma multa de CAD$ 40.

É a velha história, na próxima vez vai pensar duas vezes antes furar o sinal. Se a moda pega no Brasil…

Bombay Mahal

MONTREAL (muito bom) Explorar os restaurantes de Montreal é um dos meus passatempos favoritos. Aqui você encontra qualquer tipo de comida por preços muito razoáveis. Essa semana pedi para meu amigo Jean Phillippe, quebecois da gema, me indicar alguns restaurantes indianos. Com a lista em mãos, ontem a noite fomos conhecer uma região que está sendo dominada pela cozinha Indiana na Rua Jean Talon.

Escolhemos o restaurante Bombay Mahal, um lugar bem simples com pratos de metal parecidos com bandejão de restaurante universitário. Pedimos quatro pratos diferentes, um vegetariano, dois a base de frango e um de carneiro (Lamb Madrasi). Esse último, o melhor da noite na minha opinião pois tinha o nível de pimenta que eu gosto. Como o Alceu é chegado num ardido, ele pediu um frango Vindaloo que é carregado na pimenta.

indian food

E pra acompanhar essa pimenta toda? Tem que ser uma coisa meio encorpada. Que tal alguns vinhos do sudoeste da França? Jean Philippe levou um Cotês du Brulhois 2010 (GGG1/2) …

brulhois

…enquanto eu fui no meu velho conhecido Cahors Clos La Coutale 2011 (GGGG/12).

Cahors

Apesar do Brulhois ter Tannat na sua composição ele era bem suave, um pouco suave demais para a quantidade de pimenta. Já o Cahors caiu como uma luva.

Esse restaurante entra na minha lista dos motivos para não ser vegetariano. 

GP de F1 de Montreal

MONTREAL (toasted) Esse ano consegui acertar a data da minha viagem de cooperação acadêmica que tenho com a universidade aqui em Montreal para o fim de semana da Formula 1. Corrida de carro é o tipo de coisa que você gosta ou odeia. Eu gosto. Essa é a quinta vez que eu vejo essa corrida. E se você pensa em ver uma corrida de F1 algum dia, Montreal é uma boa opção.

Primeiro por que a cidade se transforma. As ruas do centro da cidade fervem com gente de tudo que é canto. Pra quem gosta de agito, um prato cheio. Não é o meu caso.

crescent street

Segundo pela comodidade. Esse é meu caso. Você pega o metrô que te larga dentro do circuito. Os lugares são numerados, então se você quiser chegar na hora da corrida, o seu lugar vai estar lá, disponível pra você. Se você quiser pagar menos, tem a opção da famosa geral, em que você vai disputar lugar nas áreas livres. Aí sim, se prepare pra chegar cedo, senão só vai escutar o barulho dos carros.

area aberta

Mas só tem a corrida de F1? Não. Tem várias categorias que correm antes. Esse ano teve provas da 1600CC, Porsche e Ferrari. Nas duas últimas, alguns abonados colocam seus brinquedinhos na pista e a porrada come solta. No sábado o cidadão espatifou sua Ferrari no muro. Não conseguiu controlar o carro na pista molhada e rachou o guard rail. Nada que doa no bolso do magnata.

porsche

Mas voltando a corrida da F1, esse ano a coisa foi complicada para os pilotos. Durante os dois dias de treino teve uma garoa chata que deixou a pista molhada o tempo inteiro.  E no domingo, abriu um sol de torrar. Literalmente. Ainda mais para aqueles que esqueceram o protetor solar. Quem não teve problemas foi a RedBull do Vettel que ganhou de ponta a ponta. Alonso deu um show e o Massinha foi esforçado. Depois de bater no sábado e largar em 16o. batalhou bastante e chegou em oitavo.

ferrari

 

Tosco Tomando Vinho

MONTREAL (packing) O negócio é aproveitar os preços descentes e a boa variedade de Cahors que a gente encontra por aqui. Aqui vão alguns para o catálogo do tosco.

O primeiro da semana foi o Chateau St Didier-Parnac 2010. Foi uma recomendação do rapaz da loja de vinhos. Talvez seja algum problema com essa safra, mas não estava aquelas coisas. Tomamos no Khyber Pass acompanhado de um maravilhoso carneiro, como sempre. O vinho não estava na altura do prato. Daria uma GGG para ele.

O segundo da série é um velho conhecido, o Clos la Coutale. A foto é do ano passado mas o vinho é o mesmo. Inclusive a safra, 2009 (GGGG1/2). Tomamos no Le P’tit Plateau, um pequeno bistro Francês com meia duzia de mesas.

Pra acompanhar um salmão defumado que comi como entrada é perfeito. Alias, recomendo fortemente esse restaurante. Mas faça reserva.

E pra fechar a semana, um Comte du André. Uma grata surpresa com um preço bem acessível por aqui (GGGG). Casou perfeito com a macarronada preparada pelo Chef Eduardo (meu ex-aluno).

 

O Pau Comeu

MONTREAL (almost done) Ontem saí pra jantar com alguns amigos e como a temperatura estava agradável (cerca de 5C) resolvi fazer uma caminhada solitária de volta pra casa. Logo na saída do restaurante observamos um movimento anormal de policiais, helicóptero da polícia sobrevoando a cidade, etc. Ficamos ali conjecturando sobre o que poderia ser aquilo e cada um seguiu seu caminho.

Meu trajeto tinha cerca de 3km por uma das principais ruas do centro de Montreal, a Saint Catherine. Passeio agradável relembrando minha época de estudante e andarilho até que dou de cara com uma passeata.

O que está acontecendo aqui é que o governo provincial quer aumentar as taxas de escolaridade das universidades. Para se ter uma ideia, hoje um curso de engenharia, para um cidadão quebecois, custa na faixa de uns CAD 2500/ano. Ou seja, quase de graça, quando comparado com outras províncias do país, e até mesmo se compararmos com universidades particulares Brasileiras.  Estrangeiros e canadenses de outras províncias pagam mais caro se quiserem estudar aqui.

E esse baixo custo da anuidade é motivo de orgulho para os quebecois. Afinal de contas, educação pública de qualidade é que vai continuar gerando a massa pagadora de impostos de amanhã. E como aqui a população não é de deixar barato, os estudantes entraram em greve e foram pra rua. Aqui tem mais informações sobre o impasse.

Voltando a passeata de ontem, esta foi mais uma manifestação organizada pelos alunos. E eu, que caminha tranquilamente pela rua pensando no passado, de repente me vi no meio da massa. Como não consegui andar no sentido contrário, resolvi ficar parado no lado da rua e esperar o povo passar. Mas como vândalos acéfalos não são exclusividade Brasileira, alguns imbecis resolveram quebrar vitrines e carros estacionados. Então a polícia que observava tudo de longe entrou na parada e o pau comeu. Bombas de efeito moral e gás lacrimogênio foram arremessadas para perto de onde eu estava. Aí foi aquela correria. Meu olhos começaram a arder e não tive muito o que fazer a não ser correr com a multidão.

Consegui escapar ileso e resolvi correr pra casa antes que me prendessem por engano. Mas tudo isso pra dizer que estou com inveja deles. Nós Brasileiros, talvez por comodismo, talvez porque já perderam a capacidade de se indignar, vemos tudo passivamente. Somos sacaneados, roubados e desrespeitados sempre que precisamos de um serviço público e fazemos o que?

Nossas universidade são sucateadas e pessimamente administradas. Gasta-se muito dinheiro com uma burocracia que tende ao infinito. Consequência disso são salas de aula de merda, laboratórios ultrapassados e banheiros que fedem e sem papel higiênico. Acho que temos que começar a cobrar anuidade. Será que alguém vai se opor?

 

Tosco Tomando Vinho

MONTREAL (that’s it) Ontem jantei com Robert, meu ex-supervisor de doutorado, com quem eu mantenho alguns projetos de colaboração acadêmica. Fomos num pequeno restaurante Francês (Le P’tit Plateau) que ele queria conhecer. Esse restaurante é do tipo “Apportez Vortre Vin”, ou seja você pode comprar seu vinho em qualquer lugar e tomar no restaurante. E melhor, o restaurante não cobra por isso. Eu acho esse conceito sensacional. Não são todos os restaurantes da cidade que permitem isso. Um guia daqueles que permitem isso pode ser encontrado aqui.

Como aqui a variedade de Cahors é boa e os preços são acessíveis, pegamos duas garrafas clássicas. A primeira era um Chatons du Cèdre 2008. Já tomei esse vinho diversas vezes, mas desta vez ele estava ácido demais. Talvez devesse ficar mais algum tempo guardado. Mas eu não tenho tanto tempo assim!

A segunda garrafa foi um Clos la Coutale 2009. Consultando alguns posts mais antigos, reparei que eu já tinha experimentado esse vinho. Foi um 2007 e pelas minhas notas estava bom. Mas esse 2009 estava particularmente bom, talvez pelo fato de que o Chatons du Cedre deixou um pouco a desejar.

Serviço:

Le P’tit Plateau, 330 Marie Anne Est (esquina Drolet), Montreal. Fone 514-2826342. Faça reserva.

Almoço na Escola

MONTREAL (muito bom) Hoje fui almoçar num restaurante Indiano que fica pertinho da universidade. Se trata de um restaurante escola, onde você pode aprender com o chef do restaurante alguns pratos da apetitosa cozinha Indiana. Por $50 você tem uma aula de duas horas com direito a comer o que você preparou.

Como a minha especialidade se resume a degustação, matei a aula e fui só para o almoço. O cardápio do restaurante é simples mas os pratos são muito bons. Hoje fui no número 2 (Poulet Masala) o qual estava caprichado na pimenta. Essa semana ainda volto lá.

Preço honesto e uma excelente comida. Só não se espante com o “look” espartano. Mais informações aqui.

Habitat 67

MONTREAL (esquentou) Pra quem gosta de arquitetura acredito que esse prédio seja um prato cheio. Olhando de longe parece um favelão, não?

Aqui você pode encontrar mais algumas fotos desta intrigante construção. Dá pra ver que está longe de uma favela, muito pelo contrário. Se trata do Habitat 67, um prédio que foi construído para a Expo 67 (International and Universal Exposition 1967).

Almoço com os Polacos

MONTREAL (esquentou) Hoje fui com meu amigo Jean Phillipe e sua mãe num almoço beneficente da comunidade Polonesa aqui em Montreal. Como o Canadá é um país que acolhe bem os povos de todos os cantos do mundo, em vários cantos da cidade você encontra esse tipo de evento. Pra quem vem de Curitiba, comida Polonesa não é nenhuma novidade. Os polacos estão espalhados por todos os cantos da cidade, não é Renatão?!

A comida estava boa. Pedimos um monte de pratos diferentes pra fazer um “rodízio”.

E como em todo almoço beneficente, tem um monte de gente vendendo toda sorte de coisa que você pode imaginar. A degustação de salsichas e embutidos foi uma boa pedida.

Cheguei

MONTREAL (cold) Acabo de chegar em Montreal pra uma semana de trabalho na ETS. Primavera Québécois e o termômetro marcando -2C.

Viagem em classe econômica é aquela coisa. Como desgraça pouca é bobagem, na minha frente veio uma família com 3 anjinhos. O mais santo deles não parava de bater a cabeça na poltrona. Eu querendo ver o filme e a poltrona balançando. Quando eu ia dar um cascudo no guri o pai dele se tocou e deu o cascudo no meu lugar. As garrafinhas de vinho que tomei junto com o bandeijão me ajudaram a dormir um pouco.

Chegamos no horário em Toronto, alfândega tranqüila, mala na esteira, conexão no horário, vôo vazio, e poltrona na saída de emergência com espaço para esticar as pernas!

Me dei bem, pensei. Mas aí começaram os avisos do comandante.
– O marcador de combustível não tá funcionando.
– Estão vindo arrumar.
– Vão colocar mais gasolina
– Colocaram mais gasolina e agora a gente não tem certeza de quanto combustível tem.
– Vamos tentar trocar o computador.

Uma hora e trinta minutos depois o último aviso.

– Fudeu prezados passageiros! Vamos cancelar o vôo e colocar vocês no próximo.

Felizmente tem vários vôos entre Toronto e Montreal. Mas como juntaram dois em um, o meu vôo estava lotado até o talo e aquela minha poltrona na emergência foi pro espaço. Mas enfim, cheguei.