Salta o Muro

PORTO (esquentou) Hoje o almoço foi em Matosinhos, uma pitoresca cidadezinha a uns 30 minutos de metrô do centro do Porto. Eu já conhecia o local da outra vez que estive aqui, e por esse motivo tive que voltar lá. Fabien, meu colega aqui do INESC, me indicou o Salta o Muro, um restaurante pequeno com cerca de 10 mesas apertadas.

A especialidade deles é peixe assado. Alias, a especialidade da maioria dos restaurantes de Matosinhos é peixe assado. Alguns assam o peixe em grelhas no meio da rua.

Resolvemos experimentar o Dourado Assado. E pra beber? Dessa vez ainda não tinha tomado um vinho do Dão.  Pra resolver esse problema escolhi um Dão Quinta do Escudial 2007. Boa pedida.

Restaurante simpático, ótimo preço e comida sensacional. Mais um pra listinha “not to miss” quando estiver por aqui. Agora, chegue cedo, senão você certamente vai ficar na fila de espera.

Os Bruxinhos

PORTO (pelo preço que eu comprei) Reza a lenda que a escritora J. K. Rowling, aquela do Harry Potter que minha filha gosta tanto, morou no Porto no início dos anos 90. Parece que ela foi casada com um Português e trabalhava por aqui como professora de Inglês.

Essa breve introdução pra comentar uma cena que me chamou atenção numa das minhas caminhadas. Andávamos perto do boteco que comentei no post passado, aquele que é reduto dos estudantes universitários, quando cruzamos com um monte deles (homens e mulheres) vestidos como nos filmes do Harry Potter, ou seja, todos de preto (calça, saia, gravata, etc..) e cobertos por uma capa preta.

Imaginei na hora que esse pessoal estava vendo muita televisão. Mas parece que é o contrário. A famosa escritora teria se inspirado nos miúdos Portugueses para criar as vestimentas de Harry & Cia. Ela estava por aqui quando escrevia seu primeiro livro da série. Se é verdade não sei, mas parece fazer algum sentido.

Mas todo universitário usa essa roupa? Pelo que eu entendi são os veteranos  de universidade (vulgo “doutores”) responsáveis pelo trote nos calouros (caloiros). Aqui o trote se chama praxe. A roupa preta é o traje e a capa nunca deve ser lavada. Talvez pra impressionar mais os calouros, vai saber.

Outra regra é que os calouros (praxados) não podem olhar nos olhos dos doutores. Assim como no Brasil, os calouros se submetem a todo e qualquer tipo de humilhação. Entretanto, a praxe é regulada por um conselho composto por alguns estudantes o qual obedece o código de praxe.

Ao longo da graduação  o estudante recebe 16 títulos, começando com bicho (o aluno ainda não matriculado), passando por puto, doutor de merda, merda de doutor, até veterano. Os títulos variam de acordo com a duração do curso. Mais informações (inúteis) no Praxe Porto.

Bem, agora eu tenho que responder uma dúvida de um doutor de merda, ou seria de um merda de doutor.

 

Adega São Nicolau

PORTO (frio mas com sol) Ontem eu tinha feito planos de visitar o Solar do Vinho do Porto novamente. Convidei o Yandre, meu aluno de doutorado que está fazendo parte do seu trabalho aqui no Porto, e fomos pra lá no fim da tarde. Para minha surpresa o local está temporariamente fechado.

A alternativa foi parar num boteco  (point de estudantes vestidos como nos filmes do Harry Potter – papo pra outro post) tomar um chope e comer uns bolinhos de bacalhau. Ontem aprendi mais uma. Por aqui o tamanho do chope tem nome: 200ml é o fino, 300ml é o principe e 500ml e a caneca. Meio esquisito essa história de pedir um fino ou um principe.  Me dá uma caneca me soa mais natural. Fui na caneca.

A fome bateu e o Yandre disse que um colega dele tinha indicado um bom restaurante pra comer bacalhau. Lá fomos nós descendo as estreitas ladeiras do Porto em direção ao rio Douro. Vira aqui, pergunta alí e chegamos no tal restaurante, a Adega São Nicolau. Logo na entrada uma porção de recomendações do “Le Guide du Routard“. E fazendo uma busca rápida na Internet dá pra ver que o local é altamente recomendado.

Como dizia o poeta, restaurante bom é restaurante pequeno. Esse tem umas 8 mesas meio apertadas as quais tornam difícil a simples tarefa de ir até o banheiro. A impressão é de estar numa caverna. Aconchegante, agradável, bem decorada, mas uma caverna.

Seguimos a sugestão do garçon tanto no vinho quanto no bacalhau. Eu sei que Brasileiro está mais acostumado com os vinhos do Alentenjo, mas vou sugerir um vinho do Douro pra vocês, disse o simpático garçon. Sugestão aceita e aprovada. Minha nota para o Sagrado 2008 é GGGG1/2. Se achar pode comprar que você não vai se arrepender. E o preço é atrativo. No restaurante pagamos EUR 11.

E pra acompanhar o vinho (deveria ser o inverso, não?) a sugestão do chef era o Bacalhau a Lagareiro. Uma posta volumosa com batatas, muito alho e azeite. De entrada um queijo e bolinhos de bacalhau.

Se estiver passando pelo Porto, esse local certamente deve estar na sua lista de restaurantes. Nós não fizemos reserva, mas pelo que eu entendi, tivemos sorte. Fica a dica.

Car Sharing

PORTO (rent a car) Isso deve existir em algum lugar mas eu nunca tinha prestado atenção. Desta vez tinha um, ou melhor,  dois carros da citezenn.com parado na frente do meu hotel.

A ideia é que você possa alugar o carro por hora pela internet, telefone ou ainda no lobby do hotel. Se você tiver uma assinatura mensal o aluguel fica mais barato. Veja aqui os preços.

E a bicicleta?? Vão gritar meus nobres colegas. A bikes também estão ali, mas as vezes é interessante esse tipo de alternativa. Em alguns casos você precisa de um carro por meio-dia. Nesses casos o car sharing é uma alternativa mais interessante que um taxi ou um carro alugado.

 

Museu do Vinho do Porto

PORTO (meio quebrado) Depois de um voo relativamente tranquilo na primeira fileira da classe economica (isso é o mais próximo que eu chego da business) cheguei por volta das 10h no meu hotel. Como não pude fazer meu check-in, larguei minha mala e fui dar uma volta na beira do rio Douro. É sempre interessante ver a mesma cidade de um diferente ângulo. Na caminhada de hoje eu passei na frente do Museu do Vinho do Porto.

Não se trata de um museu sobre o Vinho do Porto, mas sim sobre a importância do comércio do vinho para o desenvolvimento da cidade. Não é um “must see”, mas se você tiver passando por perto, vale a pena a visita. No fim de semana a entrada é franca.

Já a caminhada na beira do Douro numa manhã fria e ensolarada é algo que certamente faz bem para a alma.

Do Outro Lado do Rio

PORTO (quase no fim) Ontem no final da tarde fomos conhecer a região das caves de vinho do Porto, as quais ficam do outro lado do rio Douro. Na verdade, do outro lado do rio fica a cidade de Vila Nova de Gaia, ou seja, as caves de vinho do porto não ficam na cidade do Porto.

Existem várias caves que fazem visitas guiadas. Por indicação de alguns amigos fomos visitar a que tem a melhor visita, a cave Ferreira.

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A visita é bastante instrutiva, mas diferentemente de visitar uma destilaria na Escócia onde é possível acompanhar todo  o processo de produção de um single malt, aqui a única coisa que vemos são barris e toneis onde os vinhos ficam envelhecendo.

A produção é toda feita na região do Douro e o vinho é então transportado para essas caves para envelhercer e ser vendido. Por força da lei, para se chamar vinho do Porto, o vinho deve ser produzido na região do Douro. Algumas das coisas que aprendi na visita.

1) O vinho do Porto mais comum não envelhece depois de engarrafado. Se você tem um guardado por muito tempo (como eu tenho) provavelmente ele já perdeu em qualidade.  Talvez você possa usá-lo como vinagre.

2) Os vinhos mais caros e de qualidade muito superior, como os “Vintage”, podem ser guardados por mais tempo. Mas custam muito caro.

3) Os “Vintage”  devem ser tomados em um ou dois dias. Já os vinhos mais comuns como o Ruby e o Tawny podem ser consumidos em até seis meses. Quatro meses para o Tawny e seis para o Ruby.

4) A diferença entre o Ruby e o Tawny é que o Ruby e envelhecido em toneis gigantes como este da foto abaixo. Um tonel deste tem capacidade para até 70 mil litros de vinho. Ou seja, devido ao enorme tamanho do tonel, o vinho tem pouco contato com a madeira (carvalho) e consequentemente tem um envelhecimento mais “pobre”

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Já os Tawnys são envelhecidos em barris de carvalho menores e em geral por mais tempo. Isso dá uma coloração mais clara ao vinho e um sabor melhor. O preço também é um pouco mais elevado, mas eu diria que nesse caso o custo compensa, pois se trata de um vinho bem mais elaborado.

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5) Os vinhos do Porto com excessão das garrafas datadas são uma mistura de vinhos. Se você compra um vinho de 10 anos, quer dizer que está tomando uma mistura de vinhos de 8 a 15 anos que na média ponderada tem 10 anos. É mais ou menos como o whisky blended.

6) Alguns vinhos são extremamente doces. Para produzir esse tipo de vinho eles interrompem a fermentação logo no primeiro dia o que faz com que todos os açucares sejam mantidos. Esses são os vinhos prediletos das mulheres. No caso da Ferreira, o vinho das mulheres se chama Lágrima. Já para a produção dos outros vinhos, a fermentação dura em torno de 3 a 4 dias, quando então é adicionada uma aguardente de 70% ao vinho.

No final da visita temos direito a uma degustação de um branco e um tinto e como não poderia deixar de ser, uma visita a loja oficial da cave, com preços de turista. Isabela também provou o Lágrima da Ferreira.

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Saímos de lá por volta das 7h e já estava escuro. Legal para apreciar a vista das cidades do Porto e Vila Nova de Gaia de cima da ponte.

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Tosco Tomando Vinho

PORTO (…do Porto) Não tive muito tempo de conhecer a cidade ainda mas vou resolvendo esse problema aos poucos. Um lugar muito interessante aqui pra quem gosta de vinho é o Solar do Vinho do Porto. Trata-se de um bar que conta com mais de 150 tipos diferentes de vinho do Porto para degustação.

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O local é muito agradável e tem uma vista privilegiada do rio Douro.

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Até a Marisa que não bebe degustou um Porto “very sweet” que eles tinha na carta de vinhos. Foi o suficiente para sair trançando as pernas.

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Eu experimentei dois vinhos diferentes, ambos sugestões do simpático senhor que nos atendeu. O primeiro foi um Burmester e o segundo um Ramos Pinto. Ambos muito bons e acompanhado do tradicional Queijo da Serra ficaram ainda melhores!

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A quantidade de vinhos disponíveis na bar me dão a leve impressão que deverei voltar lá antes de ir embora.

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Grafo da Música

PORTO (chove chuva, chove sem parar) Falando um pouco de trabalho, durante essas duas semanas estou trabalhando no INESC-Porto (Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores) do Porto, em Portugal. Se trata de um projeto de colaboração acadêmica que envolve a UFPR, PUCPR, e o INESC-Porto. O tema de estudo é a classificação automática de gêneros musicais.

Meu contato aqui é o Fabien, pesquisador Francês radicado em Portugal que trabalha com computação musical. Uma coisa bacana feita por um dos alunos dele é uma representação gráfica para a visualização da base do LastFM. O software se chama RAMA (Relational Artist Maps).

Começe escolhendo um artista e a profundidade do grafo. O sistema vai desenhar um grafo de relacionamentos com todos os rótulos da base LastFM. É uma forma bastante amigável de encontrar artistas similares aqueles que você gosta (ou não). Acesse aqui e have fun!

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