Col du Telegraph + Col du Galibier

LYON (time is on my side) Para nosso último dia de pedal guardamos o famoso Col du Galibier (2642m). O percurso clássico do Col do Galibier (face norte) sai da cidade de Valloire (1397m) mas como esse era o último pedal resolvemos esticar o percurso e fazer dois “Cols”, o Telegraph e o Galibier. Alias, esses dois fazem parte da 17a. etapa do Tour de France desse ano.  Mas como se esses dois não fossem suficientes, colocaram na mesma etapa mais dois, o Ornon o Croix de Fer. Esse último é o mesmo trajeto que fizemos saindo da represa de Allemont.

17a. etapa do Tour de France de 2017.

Diferentemente do dia de céu azul que pegamos no Mont Ventoux, a previsão era de dia nublado. Saímos de Saint-Jean de Maurienne (740m) por volta das 10:30h sentido Col du Telegraph com 25C e sol entre nuvens. Conforme fomos subido a bela estradinha que liga a cidade ao Col du Telegraph (1566m) a temperatura foi caindo e o tempo fechou um pouco.

Quando chegamos no Telegraph o Lyra resolveu abortar o Galibier. Ele estava um pouco receoso com o clima fechado e com o frio. No Telegraph já fazia 11C.

Sobe, não sobe. Tem certeza?

Descemos juntos até Valloire e dali pra frente seguimos eu e o Oca. O Lyra voltou para Saint-Jean de Maurienne para pegar o carro e pela primeira vez fizemos um pedal com carro de apoio. Muito bom, diga-se de passagem. Devemos considerar para a próxima vez.

Os primeiros quilômetros saindo de Valloire são relativamente planos e a estrada é margeada por uma corredeira que desce dos Alpes. Nessa época do ano em que grande parte da neve ja derreteu, o rio está bem estreito. A magnitude das montanhas e a visão da estrada se perdendo no horizonte fazem esquecer o que vem pela frente.

Quando você começa a avistar as calotas de gelo encravadas nas montanhas a coisa começa a ficar séria. A temperatura cai conforme você sobe e a inclinação não baixa dos 10%. Apesar da temperatura baixa, eu subi quase todo o trajeto com uma segunda pele e a camisa. Coloquei o corta vento no último km. A luva sem dedo, definitivamente não foi a escolha acertada.

Assim que cheguei no topo da montanha a temperatura era de 1C e começou a cair uma chuvinha leve que logo virou neve. Encontrei um ciclista que veio do lado sul, tiramos uma foto um do outro e tratamos de descer logo. Minhas mãos estavam congeladas.

Desci até o primeiro refúgio (cerca de 1km do pico) pra esperar o carro de apoio. Enquanto esperava com um café bem quente a neve apertava. Um tempo depois o Lyra chegou com o Oca (capturado perto do topo). Mais um tempo depois, quando a neve deu uma trégua resolvi descer a montanha. Peguei a jaqueta, luvas e manta térmica do Oca e despenquei Galibier abaixo. Freio a disco aprovado novamente!

Desci uns 10km com bastante frio e asfalto bem molhado. Quando o asfalto secou (perto dos 1500m de altitude), voltei a pedalar forte na descida pra aquecer o corpo e logo tive que parar para tirar um pouco de roupa. Continuei pedalando forte pra chegar na frente do carro de apoio, mas pertinho de Bourg d’Oisans (750m) (onde devolvemos as bikes) o carro me alcançou. Pra resumir tudo, pedal ÉPICO!!

Como é que eu ia perder quase 50km de descidas nos Alpes Franceses, em estradas magnificas, e sem nenhum caminhão do meu lado? Não ia ser uma nevezinha que ia me parar!

 

Mont Ventoux

LYON (chá de cadeira no aeroporto) Depois de dois pedais tiramos o terceiro dia de folga e aproveitamos pra descansar as pernas fazendo um pouco de turismo em Grenoble.  Esse era o planejamento inicial de qualquer forma, ou seja, dois pedais – descanso – dois pedais. Acho que acertamos na formula.

Depois de acompanhar a previsão do tempo atentivamente, encontramos uma janela de tempo bom em Bedoin (uma das cidades base para o Ventoux) na sexta-feira. Bedoin fica cerca de 230km de Grenoble. Uma opção seria pegar um hotel la por perto. Mas como as condições do tempo mudam rapidamente (principalmente o vento), resolvemos fazer um bate-e-volta para ter mais flexibilidade na escolha. Decisão acertada. O dia estava maravilhoso e a temperatura agradável para encarar o místico Gigante da Provence. Do pé da montanha já era possível avistar o cume.

Lyra apontado o cume. Pensa numa criança feliz!

Começamos nossa escalada por volta das 11h com 22C de temperatura.  Até o topo da montanha (1912m) são 21.4km com um ganho de elevação de 1639m (o maior de todos que fizemos). Em alguns trechos o gradiente bate nos 12%. São 21km de subida constante. Parou de pedalar, cai da bike.

A primeira parte do trajeto fica dentro de uma floresta. Nesse pedaço você fica um pouco mais protegido do vento e do sol. Por outro a inclinação não baixa do 9%.

Faltando uns 6km para o fim o visual muda completamente. A vegetação dá lugar a uma paisagem lunar e a inclinação não diminuir. No último km fica mais difícil. Talvez o km mais longo que eu já fiz. Minha estratégia foi mirar no ciclista da minha frente, passar dizendo um “bonjour” (como se estivesse fácil) e assim por diante.  A antena em vermelho e branco também é um alvo constante.

Assim como no Alpe d’Huez, a quantidade de ciclistas impressiona. A maioria do pessoal sobe de speed, mas você vê de tudo. MTB, Tandem, Bike puxando carretinha com criança e os idosos em suas bikes elétricas. Esses sim me passando dizendo “bonjour” sem cara de sofrimento.

A vista de cima do cume é espetacular mas a sensação de estar lá em cima é indiscritível. Plagiando o Col Collective, “For words: You must do it”.

Não esqueça o corta vento. Vc vai precisar dele lá em cima e na descida.

Col de la Croix de Fer + Glandon

GRENOBLE (day 2) Depois de muito analisar a meteorologia decidimos fazer o Col de la Croix de Fer pela face sul, como o mostrado no Col Collective. E não é que a decisão foi acertada. Pegamos um pouco de chuva, mas a estrada é magnifica. 

Antes de começar o pedal temos nosso ritual de montar as bikes. A escolha do carro foi acertada pois rebatendo dois bancos coube as três bikes desmontadas.

Esse pedal foi bem diferente do Alpe d’Huez que tem uma subida única. Nessa estrada tem subida, descida, floresta, represa, cachoeira, etc. O trajeto começa  numa represa e logo entra no meio de uma floresta. A marcação é a cada km com indicativo do gradiente.

No meio do caminho tem um grande downhill e depois começa a subir novamente, mas com uma paisagem totalmente diferente. Essa subida do meio do trajeto é a parte mais pesada com cerca de 11 a 12% de gradiente.

Faltando uns 10km para o topo (com 1600m de altitude) a estada é margeada por um grande lago de água azul. Mesmo com o dia bem nublado a paisagem impressiona. Quando acaba o lago tem uma outra descida e você consegue ver a estrada subindo lá longe.

Chegamos no topo da montana (2067m) sob chuva leve e com uma temperatura na casa dos 10C (começamos o pedal na casa dos 20C).  Lá em cima encontramos um boteco bem tosco onde conseguimos uma xícara de café bem quente. Ficamos lá um tempo batendo papo e esperando a chuva passar.

A famosa cruz de ferro

Na volta ainda passamos no Col du Glandon (o segundo ponto mais alto nesse pedaço da montanha) com 1924m. Logo na saída eu sofri um pouco com o corpo molhado. A primeira descida fui batendo o queixo. Consegui esquentar somente na primeira subida. Aí com o corpo aquecido pude testar os freios a disco em pista molhada. Uma maravilha. Desci a montanha bem rapidinho e por isso tive que esperar o Lyra e o Oca uns 20 minutos. Vamos ver o que nos aguarda para amanhã. Agora chove forte 🙁

Alpe d’Huez

GRENOBLE (dia 1) Contrariando as previsões, hoje não choveu. Acordamos o mais cedo que conseguimos (Oca e Lyra chegaram 2am somente) e fomos direto para Bourg d’Oisans, a cidade que fica no pé do Alpe d’Huez. Foi lá que reservamos nossas bikes também, essas Giant Defy Advanced 1.  O freio a disco foi a única exigência do Lyra. As rodas de carbono eu queira testar. Antes não tivesse testado. O troço é bom!

Giant Advance 1 – Freios a disco hidráulicos, rodas de carbono, grupo ultegra, pedivela compacto 50×34, cassete 11v 11×32

Bikes ajustadas

Depois de um alguns ajustes começamos nossa subida por volta das 11h. Felizmente a temperatura estava bem agradável, já que Bourg d’Osains fica a 750m de altitude.

A subida é pesada. São cerca de 14km com gradiente médio de 8.5% com alguns trechos de 13%. A altimetria de cerca de 1200m está distribuída em 21 curvas, cada uma delas numerada em homenagem ao ganhadores das etapas que acabam no topo dessa montanha. Uma boa maneira de saber o quão longe se está do topo.

Os treinos na serra funcionaram bem e eu consegui subir num bom ritmo mas em alguns lugares usei o pinhão 32 do cassete.

O vilarejo no topo da montanha é tomado por apartamentos, chalés de inverno e um punhado de restaurantes os quais nessa época do ano são pontos de encontro de ciclistas. Eu fiquei impressionado com a quantidade de gente. É claro que esperava bastante gente, mas a quantidade me impressionou.

A descida eu usei pra testar os freios a disco. Essa foi a primeira vez que testei um freio a disco numa road bike. Gostei bastante, principalmente pela modulação do freio. Passa muita segurança. Para esse tipo de descida eu diria que é ideal. Para o tipo de pedal que eu faço regularmente eu diria que não faz diferença. Mas como diz o ditado, é bom ter. Já as rodas de carbono me surpreenderam. O troço é espetacular. A rigidez do conjunto é muito boa. Estou quase arrependido de ter experimentado!

E pra acabar uma pequena confraternização, afinal de contas é pra isso que estamos aqui. O pedal é desculpa.

Vamos ver o que nos aguarda para amanhã. A previsão do tempo não é das melhores.

 

 

Projeto Climbing

(CURITIBA) No ano passado comecei a planejar uma viagem para a França com o objetivo de pedalar em algumas das mais famosas montanhas do Tour de France. Discuti com alguns amigos e no começo tinha uma listinha grande de pessoas que me diziam “Eu vou”. Alguns perguntavam se era para participar do L’Etape e eu explicava que não. A ideia não era fazer um pedal com outros 4 mil ciclistas e sim pedalar com alguns amigos por algumas das montanhas clássicas da França, entre elas o Mont Ventoux e o Alpe d’Huez. Além dessas duas, um colega Francês me sugeriu fortemente essas duas outras: Col du Galibier via Col du Télegraphe e Col du Glandon via Col de la Croix de Fer.

Bem, a lista de interessados foi diminuindo com o tempo por diversas razões e num determinado momento eu achei que ia sozinho. No fim acabamos fechando nosso grupo em 3 ciclistas. Eu, Lyra e Benoit (a.k.a. Oca). A princípio está tudo acertado. Apartamento em Grenoble (nossa base), carro de apoio com motorista (Gleisi, esposa do Lyra) e as bikes é claro.

As bikes reservadas para a aventura são essas da foto abaixo, Giant Defy Advanced Pro 1. Rodas de carbono, grupo ultegra compacto com cassete de 32 (não tinha maior:). O freio a disco foi a única solicitação do Lyra. Poderia ser quadro de chumbo, mas tinha que ter freio a disco. Essa vai ser minha primeira experiência com aluguel de bike a distância. Espero que não seja como aluguel de carro, onde você reserva um Audi e recebe um Kia.

Com a viagem se aproximando (final de junho), resolvemos começar a treinar para as subidas. A ideia é fazer toda semana alguma coisa entre 1500m e 2000m de altimetria e daqui a pouco, dois pedais seguidos de altimetria alta. E no meio disso, aqueles treinos de base no planão da BR277. Esse fim de semana começamos com um pedal de 80km e 1900m de altimetria no Cimentão da Itambé.

Tenho que prestar mais atenção na alimentação pois no fim da segunda volta acabaram minha comida e água (consequentemente as pernas). Sorte que o Lyra tinha um doce de leite escondido junto com uma câmara de ar. Semana que vem vamos para a Serra do Mar 2X.

Serra do Rio do Rastro

CURITIBA (up) Já fazia um bom tempo que eu queria conhecer a serra do rio do rastro, uma estrada bastante sinuosa localizada no município de Lauro Muller no sul de Santa Catarina, cerca de 500km de Curitiba. Na semana passada, meio de supetão (só assim essas coisas funcionam), combinei com o Fabricio de subir a serra de speed. Depois de um monte de mensagens (vou, não vou, talvez, vou ver lá em casa, etc..) fechamos um grupo de quatro ciclistas. Eu, Fabricio, Arce e André. Colocamos as bikes em cima do carro e partimos em direção a serra catarinense na sexta a tarde.

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Em Lauro Muller, ficamos na pousada Beira Rio. O lugar é bem simples, bastante barulhento e com camas pouco confortáveis. O preço é bom, porém. Paguei R$ 60 por um quarto individual com banheiro privativo. Eles não servem café da manhã mas tem uma padaria pertinho que resolve esse problema. Quando eu voltar pra lá, e certamente voltarei, vou procurar outro lugar pra ficar.

Lauro Muller é uma cidade pequena sem muitos atrativos, mas com esse nome alemão uma cervejaria não poderia faltar. E não falta. Logo na entrada da cidade encontra-se a Lohn Bier, uma pequena cervejaria com um restaurante anexo. Diferentemente da pousada, essa eu recomendo. Não deixe de experimentar a IPA deles.

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No sábado acordamos cedinho, tomamos café na padaria e por volta das 7:15h começamos o pedal. A dica é começar o pedal cedo para evitar o movimento na serra e também no mirante lá em cima. No nosso caso funcionou. Encontramos pouquíssimo movimento tanto na subida quanto na descida.

O trajeto de Lauro Muller até o mirante é de cerca de 25km, saindo de 180m e chegando ao 1400m. Depois dos 700m, onde começa o trecho de concreto, a subida aperta (gradiente médio é de 10%). Uma relação compacta ajuda bastante nessa situação.

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Eu não contei, mas dizem que a estrada tem 284 curvas.

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Eu, Fabricio, André e Arce

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Depois de um monte de fotos e um chocolate quente no mirante da serra começamos a descida. O trecho de concreto exige freadas fortes, ou seja, não combinam com a speed. Mas dá pra descer rapidinho! Já o restante da descida é uma delícia. Fizemos um “pelote” de três e despencamos serra abaixo andando a acima dos 50km/h.

Rio do Rastro from Luiz on Vimeo.

Mais fotos disponíveis aqui.

Col d’Antenne

CURITIBA (sobe) Já que a ideia é fazer alguns pedais em algumas montanhas famosas no ano que vem, o negócio então é começar a encarar uns gradientes pesados pra ir acostumando o esqueleto. Foi o que fizermos ontem.

Morro da Antena

Só para ter uma breve amostra do que nos espera, revisitamos o pico do Capivari menor, também conhecido como Morro da Antena. O morro fica a 65km de Curitiba na BR116 sentido São Paulo. O pedal até lá é bem agradável, com bastante sobe e desce (cerca de 1000m de subidas acumuladas).

A estradinha que da acesso ao morro é de concreto e está mal conservada em alguns pontos. Bom pra MTB, complicado pra speed. Mas dá pra subir pedalando os cerca de 3.5km com gradiente médio de 10% (passando dos 20% em alguns pontos). Subir com uma relação compacta como a minha (34×28) ajuda bastante. Alias, em alguns trechos uma 34×32 seria bem vinda!

A última vez que estive nesse morro foi em 2011 e na época fizemos o percurso de MTB. Lembro que descer a estrada irregular de concreto de MTB com freio a disco foi uma delicia. Já de speed com esses freios de merda, foi um sacrifício! Ou seja, freio a disco na speed não é tão desnecessário assim…

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Eu, Fabricio, Formiga, Pedro e Arce

Saindo de Curitiba dá um pedal de cerca de 140km com mais de 2500m de altimetria. Um bom treino! Aqui tem mais algumas fotos.

 

Volta da Lapa

CURITBA (gray but no rain) A volta da Lapa é uma clássica da região de Curitiba e estava na minha listinha já fazia algum tempo.  O percurso é um loop de cerca de 180km com 2000m de subidas acumuladas saindo de Curitiba e passando por Campo Largo, Balsa Nova, Porto Amazonas, Lapa, Contenda e Araucária.

Volta da Lapa

Volta da Lapa

Dá pra dividir o percurso em cinco pernas. 1) Parque Barigui-Pedágio de São Luiz de Purunã, 2) Pedágio-Ponte do Rio Iguaçu em Porto Amazonas, 3) Ponte-Lapa, 4) Lapa-Araucária, 5) Araucária-Barigui,

A primeira parte é um trajeto conhecido por qualquer ciclista Curitibano que se preze. Tem cerca de 37km e a serrinha de SLP no fim. O acostamento entre Curitiba e Campo Largo está uma bosta.

A segunda parte é uma delicia. No domingo tem pouquíssimo movimento e a estrada está bem melhor. São 37km saindo de 1150m e chegando aos 770m na ponte que cruza o Rio Iguaçu. Como tudo que desce tem que subir, a terceira perna já na PR 427 tem 32km saindo do Rio Iguaçu aos 770m e chegando na cidade da Lapa aos 911m. A estrada é muito bonita e movimento baixíssimo (pelo menos no domingo).  De vez em quando passam uns motoqueiros fazendo barulho e um ou outro caminhão solitário. O acostamento é bom mas estreito.

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Nos trechos 2 e 3 não tem um mísero posto de gasolina. Se precisar de água, a única alternativa é entrar na cidade de Porto Amazonas. Nós conseguimos água numa igreja já perto da Lapa. No fim desse trecho que um posto com restaurante. O almoço custa R$ 15 e acredite, tem o poder de ressuscitar um ciclista.

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Recharging mode

O quarto trecho começa com uma serrinha que acaba no pedágio da Lapa e depois segue por cerca de 20km com retas e descidas até Contenda. Esse trecho (BR 476, também conhecido como Rodovia do Xisto) tem mais movimento mas o acostamento é muito bom. Tem alguns trechos de terceira pista sem acostamento, porém. O trajeto segue com algumas subidas e descidas até Araucária.

A última perna de pouco mais de 30km é chata e feia. O asfalto continua bom mas a paisagem muda bastante. Lugar feio do cacete esse trecho entre Araucária e o Contorno. Uma opção seria a Av. das Araucárias. Eu passei de carro por lá recentemente e o asfalto está cheio de buracos. Portanto, a BR476 acaba sendo a melhor alternativa. O trecho final  do contorno até o Parque Barigui eu fiz sozinho pois o Daniel e o Fabricio foram para São José dos Pinhais e o Arce que seria meu companheiro abortou no começo do pedal com 28 furos no pneu dianteiro.

Olhando o mapa, uma opção para cortar esse último trecho seria a PR 510 que liga contenda Balsa Nova e  Campo Largo. Pensando melhor, dá uma volta da Lapa alternativa saindo de Campo Largo e passando por Balsa Nova via estrada do Bugre.

Volta alternativa

Volta alternativa

 

Gran Fondo 150

SÃO PAULO (viajar é legal mas os aeroportos…) Esse ano o Strava mudou os desafios de Gran Fondo e no mês de janeiro propôs dois desafios: 100 e 150km. Fiz o de 100 km no começo do mês e queira fazer o de 150 antes de sair de férias. Eu tinha sugerido um pedal pra Witmarsum mas o Fabricio disse que o vento contra poderia pegar na volta. Ele então sugeriu descer a serra do mar e fazer o “tour” de Antonina e Morretes. Screen Shot 2015-01-13 at 6.04.41 PMConsiderando a temperatura média dos últimos dias imaginei que enfrentaríamos um calor forte na volta. A previsão do tempo, entretanto, dizia que teríamos tempo nublado com chuva. Mas a previsão errou feio. Fez um calor infernal e eu nunca sofri tanto pra concluir um pedal.

Mas não foi só o calor que me quebrou. Foi uma sequência de cagadas que começou com um churrasco regado a muita cerveja e single malt no sábado, uma noite mal dormida e uma péssima alimentação no pedal. Comi apenas um pastel em Morretes e não consegui comer mais nada depois por causa do calor.

Belas paisagens – Foto Instagram Arce

Quando saímos de Morretes o GPS já marcava 35C. Quando chegamos no pé da serra paramos no Roda d’Agua. Sabia que precisava comer alguma coisa mas não consegui. Pressenti a merda e segundo o Arce disse a frase mais motivadora do pedal: “Bicho, acho que não vou conseguir subir esse troço hoje”.

Começamos a escalar a maldita e paramos em todas as bicas de água que encontramos. No meio da subida tive um pneu furado, felizmente perto de uma tapera onde pudemos usufruir de uma sombra.

Screen Shot 2015-01-13 at 6.28.02 PM

Pneu consertado e o sofrimento aumentou. Quando começamos a escalada novamente o GPS marcava 42.5C. Caralho, o que é que estou fazendo aqui? Vou grudar num caminhão e subir essa merda! Não, se fizer isso vou ter que escutar desses viados o resto da vida. Vou morrer de pé!

E foi assim até o fim da serra. Consegui chegar ao pedágio mas tinha certeza que os últimos 20km seriam os mais longos da minha vida. Voltamos a pedalar depois de uma longa pausa e quando o GPS marcava 145km parei pois não estava aguentando de câimbras. O Arce já estava querendo buscar meu carro e me resgatar. Bem nessa hora caiu uma tempestade que nos fez ficar parados algum tempo sob um ponto de espera de ônibus no começo da descida do Guatupê.  Deitei ali, fechei os olhos esperando ganhar um pouco de energia da chuva que caia.

Quando a chuva parou consegui voltar a pedalar.  Depois de 157km cheguei no posto, onde estava meu carro, simplesmente destruído e acabado. Deitei na calçada por alguns minutos antes de colocar a bike dentro do carro. Não lembro de ter sofrido desta forma antes, nem mesmo em pedais mais longos, corridas de aventura, etc. Desta vez quebrei bonito.