Trabalhos Encerrados

ISTANBUL (arrumando as malas) Pois é, hora de voltar pra casa. A conferência estava muito bem organizada com direito a um jantar de confraternização eu um palácio. O pessoal organizou o jantar no jardim do palácio com vista para a ponte que separa a Europa da Ásia. Como é sabido,Istanbul é a única cidade que está na Europa e na Ásia. Mas de Europa isso aqui não tem muita coisa e talvez por isso seja um lugar tão fascinante. Com certeza merece ser revisitado.

Pra se despedir da cidade fomos no Taksim, região badalada da cidade que lembra bastante as Ramblas de Barcelona. Achamos um pequeno restaurante bem simpático um pouco afastado da região dos turistas. Aos poucos foi chegando um monte de gente pra assistir o jogo do Fenerbache e alguns instantes parecia que estávamos vendo um jogo de copa do mundo. Pra fechar a parte gastronomica da viagem com chave de ouro, um carneiro saboroso numa panela de ferro.

Agora é voltar aos treinos pois meu tenis veio só passear na Turquia!

O Palácio

ISTANBUL (almost done) Hoje fomos almoçar perto do Palácio Topkapi, um dos pontos turísticos mais concorridos da cidade. Comi um troço diferente, mas que estava delicioso. Um purê de beringela com carne de carneiro e queijo gratinado. Só que o restaurante não vendia cerveja. Aqui tem disso, se o dono é muçulmano praticante, ele não vende alcool.

Devidamente alimentados, fomos visitar o palácio. Este foi construído entre 1459 e 1465 logo após a conquista de Constantinopla. O sultão Mehmet II mandou construir o palácio para ser a sua principal residência. Ao lado do palácio, Mehmet, que não tinha nada de bobo, mandou fazer um puxadinho pra botar seu harém, que segundo o guia, tinha em nada menos que 1000 mulheres.

Tenho certeza que o sultão só conseguiu construir esse imponente palácio e juntar as jóias que estão expostas nas suas diversas salas por que naquela época não tinha cartão de crédito. Senão o cara tinha quebrado! 1000 mulheres não é pra qualquer um!

Tem uma sala no palácio que tem alguns objetos muito antigos. Antigos de mais pra acreditar! O que você acha da espada do David? E do cajado do Moisés? É aquele mesmo que  ele teria usado para que o mar se abrisse e seu povo passasse durante a fuga dos egípcios. Tenho lá minhas dúvidas de que esses objetos são verdadeiros, mas de qualquer forma eles estão exposto no palácio do sultão se você quiser ver…

Mesquitas

ISTANBUL (cold beer) Agora é época do Ramadã ou Ramadan para os muçulmanos, ou seja, eles só podem comer antes do nascer do sol e depois do por do sol durante um mês. E devem rezar várias vezes ao dia durante esse período. Mas o pessoal não fica em casa um mês. Eles tocam a vida normalmente, mas quando dá 19h os caras fecham tudo e os restaurantes ficam entupidos de gente faminta. É uma correria danada. Tá certo que muita coisa fica aberta, pois apesar de ser um país muçulmano aqui a religião não parece ser tão importante. Na rua a gente vê de tudo. Mulheres só com os olhos de fora e mulheres com muita coisa de fora.

Essa pequena introdução só pra dizer que formos visitar algumas mesquitas e algumas delas estava a maior confusão em função do Ramadã. Em todas você tem que tirar os sapatos pra entrar e em algumas não pode entrar de bermuda. Mulheres devem se cobrir dos pés a cabeça.

Istanbul, segundo o Data Alessandro, tem 2691 mesquitas. É mesquita pra cacete. Mas tem algumas que se impõe no skyline da cidade. A Süleymaniye, considerada a mais importante mesquita da cidade é um exemplo isso.

Outra bastante imponente é a Mesquita do Sultão, também conhecida como Blue Mesquita por causa dos ladrilhos azulados usados na sua construção. De acordo com o guia essa mesquita é uma das construções religiosas do mundo. Não me pergunte como eles fazem essa classificação, pois deixei de me interessar por assuntos religiosos a muito tempo. A arquitetura dos prédios, entretanto, ainda me chama a atenção.

Mas as mais impressionante de todas, que hoje funciona como um museu, é a Aya Sophia ou Haghia Sophia. É considerada um dos principais feitos da arquitetura de todos os tempos mesmo tendo sido construída 1400 anos atrás. Eu não conheço lhufas de arquitetura mas acho que a construção tem lá seus méritos. O interior é realmente grandioso apesar de ser um pouco ofuscado pelo monte de gente trabalhando em obras de restauração.

Grand Bazaar

ISTANBUL (how much?) Como diz o guia, nada pode te preparar para o Grand Bazaar. É um labirinto de ruas cobertas com lojas que vendem de tudo que você possa imaginar.  Como tudo por aqui, é muito antigo. Foi construído em 1453 quando o império Otomano tomou Constantinopla. É um show de cores que vale a pena ser visto. Se tiver acompanhado da mulher (que a minha não me leia), é prejuízo na certa! Então cuidado!

Cuide também pra não ser laçado. É isso mesmo, os Turcos pegam os clientes no laço. Perguntam de onde você é, dizem algumas palavras no seu idioma, e quando você se dá por conta, já está dentro “do” lojinha do Turco. Hoje quero ver se dou uma outra passadinha por  lá!

Conferência

ISTANBUL (hard work) Pausa pro trabalho pois a conferência começou quente. Encontro com alguns velhos conhecidos que a gente só encontra em conferência e algumas reuniões de trabalho. A conferencia está sendo realizada no centro de convenções de Istanbul e esse ano estão inscritos algo em torno de 2000 pessoas que trabalham nas áreas de reconhecimento de padrões e coisas afins.

Mas como ninguém é de plástico, uma pausa no trabalho pra uma confraternização. Como faz parte da tradição, no primeiro dia da conferência os organizadores oferecem um cocktail de recepção. Este foi no imponente campus da Bogaziçi University. Na foto abaixo, eu e Alessandro com Robert, nosso antigo (pelas brancas barbas) orientador de doutorado no Canadá.

Gente pra Cacete

ISTANBUL (getting ready) Hoje chegamos em Istanbul por volta das 14h e aproveitamos o resto da tarde pra dar uma volta e ter uma primeira impressão da cidade. Não sei se por que hoje é domingo, mas tinha gente pra cacete em todo lugar que nós fomos. Depois de devolver o carro na Avis, visitamos uma região chamada Taksim e a rua mais badalada do lugar. Muito simpática por sinal, com um bonde e tudo mais. Mas tinha gente pra cacete!

Resolvemos atravessar a ponte e ir para a região do Grande Bazaar.Como o nome sugere, um enorme amontoado de lojinhas vendendo de tudo que você pode imaginar. Atravessando a ponte deu pra perceber que o pessoal gosta de pescar. Note na quantidade de varas na ponte. Tem que tirar senha pra conseguir jogar um anzol! Gente pra cacete!!

Antes de ir no Grande Bazaar passamos no Spice Bazaar, um mercado gigante vendendo tudo que é tipo de temperos e condimentos que você possa imaginar. É um festival de cores e cheiros de arrepiar. Pra variar,  gente pra cacete!

Parada estratégica pra tomar uma cerveja e comer um kebab.  Aí fomos assaltados. Quem manda pedir a cerveja sem perguntar o preço. Turco desgraçado nos esfolou e cobrou 10TL uma cerveja, que nem estava muito gelada.

Saindo do boteco visitamos a imponente mesquita ao lado. Alías, na Turquia tem mesquita pra caramba. É mais ou menos como Assembléia de Deus no Brasil, em todo canto tem uma. Depois que eu visitar mais algumas eu falo mais delas.

Como tínhamos andando um bom pedaço resolvemos voltar de metrô. Felizmente a máquina que vende as passagens falava inglês e conseguimos comprar nossos tickets sem maiores dificuldades. O difícil foi entrar no metrô. É, isso mesmo, gente pra cacete!!

Cavernas & Canyons

NEVSEHIR, TURQUIA (yorgun) Hoje fizemos uma outra parte da Cappadocia, diferente , mas não menos interessante. Além das cavernas nos cones, os Turcos construíram verdadeiras cidades subterrâneas escavando as rochas formadas pelas cinzas dos vulcões.  O lugar que visitamos, na cidade de Derinkuyu, tem 60 metros de profundidade e parece mais um labirinto subterrâneo. Esses lugares eram construídos para a população local se esconder dos invasores durante os períodos de guerra.

E não se tratam de simples buracos , mas sim de sofisticadas cavernas com adegas, igrejas e interessantes sistemas de ventilação.  Certamente vale a visita, a não ser que você seja claustrofóbico. Nesse caso é melhor nem entrar.

Na saída aprendi um pouco sobre o modo de negociar dos Turcos.  Paramos numa lojinha de badulaques pra comprar algumas lembrançinhas e começamos a negociar. Sem muito esforço você consegue um bom desconto em qualquer coisa e em qualquer lugar. Fato comprovado durante ao longo do dia. Os caras fazem jus a fama que têm no Brasil, pois choram muito e não querem dar desconto de jeito nenhum. Mas no fim todos cedem. Mas tem que negociar. A língua nessas horas não é uma barreira.

Depois fomos visitar o vale de Ihlara, um canyon impressionante com 15km de extensão. As estradas dessa região são muito agradáveis e a vista é muito bonita. Volta e meia a gente cruza com uns ciclotursitas.

Voltando ao canyon, depois de pagar simbólicos 5TL (cerca de R$6) fizemos uma agradável caminhada de cerca de 7km no leito do rio que corre dentro do canyon.

O visual lá de baixo é simplesmente impagável.

Cavernas

NEVSEHIR, TURQUIA (alfalto derretendo) Dessa vez a viagem foi tranquila com malas chegando no lugar certo e tudo mais. Como temos dois dias antes do início da conferência, alugamos um carro  e resolvemos conhecer a região da Cappadocia que fica no centro da Turquia. Saímos de Istambul no fim da tarde, dorminos em Ankara (capital, cidade grande, moderna e meio sem graça) e hoje no fim da manhã estávamos em Nevsehir.  Antes, porém, passamos no Tozgülü, um deserto de sal gigantesco e de queimar os olhos.

A região da Cappadocia (kapadokia, alias os turcos adoram a letra k. Taxi aqui é Taksi), é o resultado de erupções vulcâncias e da ação dos ventos e da chuva ao longo dos últimos 30 milhões de anos.

A formação mais comum são rochas de arenito na forma de cone. Como elas são facilmente escaváveis, os turcos usavam (alguns ainda usam) essas rochas para fazer suas moradias. As cidades de Göreme e Uçhisar têm uma grande concentração dessas cavernas, que agora são tombadas pela Unesco.

Em Göreme todas as rochas agora fazem parte de um museu, chamado de Goreme Open Air Museum. Mas o mais divertido está no vilarejo ao lado, Uçhisar, que por sinal não está no meu guia. Lá dá pra visitar as cavernas completamente decoradas com tapetes e outros badulaques. Apesar de ser tombado pela Unesco, os antigos proprietários ainda podem explorar comerciamente as suas antigas residências.

O calor nessa época do ano é infernal e não tem uma única nuvem no céu. A melhor forma de fugir do calor é entrar numa dessa cavernas e saborear uma boa cerveja turca, que por sinal é muito boa! Saúde (ainda não sei em turco)!