Dr. Diego

CURITIBA (+1) Reconhecimento de manuscritos é um daqueles problemas de pesquisa que me fascinam. Volta e meia tenho um aluno trabalhando com alguma coisa relacionada. Um desses projetos, sobre a identificação de escritores, começou há seis anos atrás com um trabalho de mestrado ainda na PUCPR e teve hoje mais um importante milestone alcançado com a defesa de doutorado do Diego Bertolini. Dr. Diego, que foi meu aluno de mestrado também, defendeu hoje com sucesso sua tese de doutorado intitulada “Verificação e Identificação de Escritores usando Características Texturais e Dissimilaridade”.

DiegoUm bom resumo do trabalho do Diego está nesse artigo publicado na Expert Systems with Applications de 2013. Em breve a versão final da tese estará disponível na minha página.

 

Dr. Jefferson

CURITIBA (+1) Quando você faz um projeto em colaboração com outro(a) pesquisador(a), existe uma grande chance de não funcionar. As prioridades podem ser diferentes e aí a coisa desanda. Não foi o caso da parceria com o pessoal da Engenharia Florestal da UFPR. Eles conseguiram montar uma bela base de imagens microscópicas de espécies florestais que publicamos na Machine Vision and Applications. E foi esse o ponta-pé inicial para o trabalho de doutorado do Jefferson, o mais novo doutor formando no departamento de informática da UFPR.

Fazendo malabarismo para defender suas ideias para a banca

 

Jefferson conseguiu resultados bem interessantes na classificação automática dessas imagens usando conceitos de dissimilaridade e seleção dinâmica de classificadores. Parabéns Jefferson!

Master Paulo

Mestre dos MagosCURITIBA (almost there) Certa vez recebi um email de um aluno dizendo que o título de mestre é bem melhor do que o de doutor e por isso ele dizia que não ia fazer doutorado. Ele dizia que os mestres tem súditos enquanto que os doutores tem pacientes. Dizia ainda que as figuras mais legais são os mestres, por exemplo, Mestre Yoda, Mestre dos Magos, etc.. Esses caras são mestres, não doutores! Bem, esse aluno não acabou o mestrado e está longe de ser um Yoda.

Mas no dia de hoje ganhamos mais um mestre em informática. Meu aluno, Paulo Almeida, defendeu sua dissertação de mestrado com sucesso. O tema do trabalho foi a detecção de vagas de estacionamento em ambientes externos usando descritores de textura. Quando eu tiver a versão final da dissertação coloco o link aqui. Por enquanto tem esse artigo publicado na IEEE SMC em outubro de 2013.

 

Rasgando Dinheiro

Completei três anos de UFPR em outubro de 2012. Nos últimos dois anos coordenei o programa de pós-gradução (mestrado e doutorado) do meu departamento. Uma carga de trabalho chata, mas necessária. Uma das atribuições do coordenador é gerenciar um pequeno orçamento que possibilita comprar passagens aéreas para participação de alunos em conferências, participação de membros externos em bancas de defesas, etc.. Tentei fazer uso dos recursos da melhor maneira, mas a UFPR torna tudo muitíssimo complicado. Veja dois exemplos corriqueiros.

O que você faz quando vai comprar uma passagem aérea? Bem, eu planejo com antecedência, procuro o melhor preço e faço a compra. Na universidade tentei fazer o mesmo, só que não posso fazer a compra. A universidade deve comprar com a agência licitada.  Apesar dos meus três anos na UFPR eu ainda não consegui entender como as coisas funcionam, mas percebi que pagamos o dobro por qualquer passagem área. Eu fiz um levantamento no ano de 2012 e pagamos mais do que duas vezes o preço da cotação inicial da passagem. O cúmulo foi quando compraram uma passagem para Londres por mais de R$ 8000, em classe econômica. Como é que você explica? Não explica. Rasga-se dinheiro sem dó. Reclamei com o pro-reitor e também com reitor da universidade. Mas tudo continua igual e não vejo perspectivas de mudanças. A explicação que eu mais ouvi é que essa burocracia é necessária para evitar a corrupção. É isso mesmo, joga-se um monte de dinheiro na privada para evitar que alguém roube.

Aqui vai um outro exemplo. A Fundação Araucária, o orgão de fomento a pesquisa do governo Paranaense, tem chamadas de projetos de pesquisa. O pesquisador escreve um projeto e se a Fundação achar sua pesquisa relevante você leva o recurso. Só que por algum motivo, a fundação Paranaense, diferentemente do CNPq, por exemplo, não repassa o recurso para o pesquisador e sim para a universidade. E aí o recurso que o pesquisador conseguiu as duras penas é gerido de forma muito estranha pela universidade.

Veja o que aconteceu comigo recentemente. Fiz uma previsão de recursos do projeto para comprar livros. Um dos livros que preciso comprar é esse da imagem abaixo. Custa US$ 99 (na Amazon.com), ou seja, cerca de 200 reais. Quem já comprou livros na Amazon, sabe como é tranquilo e seguro comprar com eles.

Só que eu não posso comprar, pois o dinheiro está na conta da universidade. Quem compra é a biblioteca da universidade. Entrei em contato com a biblioteca para ver qual era o procedimento e lá veio a bomba. Além de um monte de formulários para preencher, a moça me disse que é necessário pagar uma taxa de importação de US$ 165. Mas não tem imposto sobre livros, argumentei.  Aí escutei a seguinte explicação: “Se quiser comprar, tem que pagar a taxa. Não podemos comprar da Amazon. Temos que comprar com um importador.” Ou seja, ao invés de pagar 99, o mesmo livro custará 264 dólares. Na realidade deve ser mais caro que isso, pois o preço do “importador” certamente é mais alto do que o da Amazon.

A Fundação Araucária diz que não pode repassar dinheiro para pessoa física, como faz o CNPq, pois o tribunal de contas do nosso “avançado” estado não deixa. Então continuamos rasgando dinheiro.

Como eu disse anteriormente, esses são exemplos de coisas que acontecem com frequência no meu departamento na UFPR. Imagine quando você vai para outras esferas e altos escalões. Lá eles deve ter máquinas de picar dinheiro para vencer o volume.

É uma pena constatar que todo esse dinheiro, que poderia estar sendo melhor aplicado nas nossas universidades, está indo para o ralo.

Reflexões Sobre a Greve dos Professores

CURITIBA (too much)  Faz três anos que sou professor do departamento de informática da UFPR. Vim de uma universidade privada, então para mim tudo isso é novidade. Nesse curto período já “peguei” duas greves, uma curtinha no ano passado e uma bem longa nesse ano (três meses até agora).  Além da greve dos professores, os funcionários também estão em parados, ou seja, o pessoal da secretaria da pós-graduação, da qual eu sou o atual coordenador, também está em greve. Mas a pós-graduação não pode parar. Os alunos de mestrado e doutorado continuam recebendo bolsas e por isso os mesmos continuam com suas pesquisas. Todo o trabalho de secretária sobra para o coordenador, no caso eu. Maldita hora para ser coordenador.

E essa greve faz sentido? Eu te pergunto. No banheiro do lugar que você trabalha tem papel higiênico? No local que você trabalha tem goteiras? Você fica anos sem receber reposição da inflação?

Pois bem, no departamento de informática tem um banheiro sem papel higiênico, sabão e toalha papel para cerca de 40 professores. Se você ficar apertado é bom ter o seu papel na sua sala. Também tem goteiras espalhadas por todo canto. Na minha sala volta e meia chove dentro.  Esses dias perdemos os no-breaks do departamento por causa da chuva, ou melhor, por causa das goteiras dentro da sala de servidores. Os alunos tem que caminhar até o bloco das engenharias para usar o banheiro.

No que diz respeito a reposição de inflação, isso não é automático no serviço publico. Diferentemente da iniciativa privada, em que os sindicatos todo ano conseguem pelo menos a reposição da inflação, no serviço público você só tem aumento se fizer greve (pelo menos essa é a minha experiência).

Essa greve não é apenas uma questão salarial, e sim uma luta para se conseguir melhores condições de trabalho. Ao meu ver a imprensa em geral ignora esse fato. O foco é somente na questão salarial. O governo ofereceu aumento e os professores recusaram! Em tempos de crise, onde já se viu. E por aí vai, o pessoal não quer dar aula, eu estudei em federal e os professores eram uma merda, os caras ganham muito pra quantidade de aulas que eles dão, o ensino superior é uma merda, basta ver o exame da ordem, etc…

Antes de falar sobre essas críticas, deixe-me dar dois exemplos O primeiro vem do meu curso, Ciência da Computação e o segundo do curso de Direito.

Exemplo 1) No caso da computação, existe uma competição anual chamada Maratona de Programação. É um evento no qual os alunos tem que resolver um determinado número de problema em um intervalo de tempo. Isso envolve diversas disciplinas que os alunos tem durante o curso. Invariavelmente, as equipes melhores colocadas são equipes de universidades federais. Veja aqui, por exemplo, o resultado da última maratona, de 2011. Encontrou alguma universidade particular?

Exemplo 2) No famigerado exame da OAB, que nesse ano de 2012 aprovou somente 15% dos candidatos, das TOP 20 universidades em aprovação no exame da ordem, 19 são instituições públicas. Várias com índice de aprovação na casa dos 70%.

Esses exemplos deixam claro, que apesar das deficiências de infra-estrutura e corpo docente, as universidades federais formam bons alunos. Tem professor ruim?  Tem. Tem professor  que dá uma merda de aula? Certamente tem. Mas a maioria faz um ótimo trabalho para formar bons alunos. E certamente poderíamos fazer muito mais, se tivéssemos melhores condições de trabalho.

Aí alguém vai dizer, mas o aluno que chega na federal é melhor do que o aluno que chega numa universidade privada. Em geral isso é verdade. Mas a dinâmica e a cultura da universidade pública cria um aluno mais independente, e no meu ponto de vista, um profissional melhor. Os dois exemplos acima mostram claramente isso. Eu posso dizer isso com alguma propriedade pois até 2009 trabalhei na PUCPR.

Em resumo, acho que a greve é valida e que foi longe demais. Temos um governo, que negocia com um sindicato que não representa ninguém (composto por amigos do PT), e o sindicato que representa a maioria não parece ter muita habilidade/capacidade para negociar com esse governo. Quem são os maiores prejudicados? A sociedade brasileira em geral que paga impostos.

Mas pelo jeito vou ter que me acostumar com isso. Quem mandou querer ser professor/pesquisador em universidade pública. Se tivesse, ao invés de fazer doutorado, feito concurso para policia ou receita federal, estaria ganhando bem mais e a greve seria bem mais curta (uma ou duas operações-padrão e tudo está resolvido).

 

Tem jeito?

CURITIBA (acho que não) Já faz algum tempo que meu ceticísmo com relação ao futuro do nosso país só aumenta. Eu sinceramente acredito que a falta de respeito para com o próximo, o jeitinho e a corrupção são coisas que estarão presentes na nossa sociedade por um longo tempo. E dia após dia me deparo com alguma situação que suporta a minha tese.

O exemplo mais recente vem do meu local de trabalho, o centro politécnico da UFPR. Na última semana a prefeitura do campus repintou as faixas de pedestres, áreas de estacionamento, faixas amarelas, etc.

Ficou bonito, mas a população do campus, composta por docentes com mestrado e doutorado e alunos abastados (a grande maioria), simplesmente caga e anda pra toda e qualquer lei e sinalização de trânsito dentro do campus.

Se vemos isso, de uma população teoricamente esclarecida que deveria dar o exemplo, o que podemos esperar do resto?

On TV

CURITIBA (again)  Essa foi um programa que o pessoal da UFPR Tv fez sobre nosso grupo de pesquisa, VRI (Visão, Robótica e Imagem),  no Departamento de Informática da UFPR. A ideia era mostrar um pouco o que nós fazemos como pesquisa no nosso grupo.

Editei o video para conseguir colocar ele no VoceTubo. A versão integral esta disponível no blog da UFPRTv.